Kerry coloca Bush na defensiva mais uma vez

O candidato democrata à presidência americana, senador John Kerry, acusou hoje (13) o presidente George W. Bush de ser responsável por uma guerra precipitada e mal conduzida no Iraque, pela perda de postos de trabalho nos EUA e pelo crescente número de cidadãos sem assistência médica. Já Bush, novamente na defensiva no terceiro e último debate entre os candidatos antes da eleição de 2 de novembro, caracterizou seu adversário como um esquerdista inclinado a aumentar os impostos e os gastos do governo. "Há uma corrente principal na política americana e você está bem na margem esquerda", disse Bush, dirigindo-se a Kerry. Ante uma platéia de 3 mil pessoas num auditório da Universidade do Estado do Arizona, na cidade de Tempe, o presidente afirmou que o democrata teria de levar os impostos da classe média - não só eliminar as reduções para quem ganha mais de US$ 200 mil ao ano - para financiar suas ambiciosas propostas. "Há um vácuo fiscal, e adivinhe quem geralmente acaba preenchendo esse vácuo? A classe média", afirmou o republicano, acrescentando que a proposta de assistência médica feita pelo democrata custaria mais de US$ 5 trilhões ao longo de dez anos. Kerry respondeu afirmando que Bush não é a pessoa mais indicada para dar aula de responsabilidade fiscal. "Este presidente pegou um superávit de US$ 5,6 trilhões e o transformou em déficits tão profundos quanto os olhos podem ver", disse o senador. Depois de afirmar que 5 milhões de americanos perderam seu seguro médico desde que Bush chegou ao poder, Kerry acusou o presidente de ter "dado as costas ao bem-estar dos EUA". Embora o foco programado para o embate de 90 minutos tenham sido os assuntos internos, a guerra contra o terrorismo e o conflito o Iraque ocuparam os momentos cruciais da discussão. Kerry reiterou seu argumento de que Bush se precipitou ao decidir atacar o Iraque sem construir uma ampla aliança internacional para isso. "Como resultado, os EUA arcam agora com este fardo extraordinário de não estarem tão seguros como deveríamos", acrescentou. "Nós podemos fazer um trabalho melhor de segurança interna". Bush argumentou que a base de seu plano de segurança interna é caçar os terroristas onde eles estiverem e espalhar a liberdade e citou com orgulho a eleição presidencial de sábado no Afeganistão como prova de que tal política está funcionando. "Podemos estar a salvo e seguros se nos mantemos na ofensiva contra os terroristas", assinalou o presidente. Já Kerry lembrou que os EUA ainda não capturaram o líder da rede terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden, a quem responsabilizam pelos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. "Quando o presidente teve oportunidade de capturar ou matar Osama bin Laden, tirou-o da mira, terceirizou o trabalho para senhores da guerra afegãos e Osama bin Laden escapou", disse o candidato democrata

Agencia Estado,

13 Outubro 2004 | 23h59

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