Kerry critica discurso de premiê da Turquia

Secretário de Estado dos EUA classificou de 'inaceitável' declaração de Erdogan de que o sionismo é uma espécie de crime contra a humanidade

ANCARA, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2013 | 02h05

O secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou ontem que os comentários feitos pelo primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que equiparou o sionismo a um crime contra a humanidade, complica os esforços de paz no Oriente Médio.

O mal-estar provocado pela declaração ofuscou a visita de Kerry à capital turca, onde pretendia passar a maior parte do tempo debatendo a crise na Síria e coordenando com os turcos um plano de ajuda à oposição que luta para derrubar o presidente Bashar Assad.

Falando em uma coletiva de imprensa em Ancara, ao lado do chanceler turco, Ahmet Davutoglu, Kerry ressaltou a "necessidade urgente de se promover um espírito de tolerância e isso inclui todas as declarações públicas feitas por todos os líderes".

O secretário de Estado disse ter feitos os comentários "de modo muito direto" para o chanceler e os repetiria quando se reunisse posteriormente com o premiê. Discursando na quinta-feira na conferência da Aliança de Civilizações das Nações Unidas, em Viena, Erdogan queixou-se dos preconceitos com relação aos muçulmanos. Ele disse que a islamofobia deve ser considerada um crime contra a humanidade, "do mesmo modo que o sionismo, o antissemitismo e o fascismo". Kerry afirmou que os Estados Unidos não apenas discordam, mas consideram "inaceitável" o comentário de Erdogan.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, também condenou duramente o comentário, qualificando-o de "afirmação soturna e falsa".

Defesa. Davutoglu negou que as palavras de Erdogan tenham sido ofensivas. Reforçando as críticas, ele acrescentou que "se Israel deseja ouvir declarações positivas da Turquia, precisa rever seu comportamento".

O chanceler turco mencionou especialmente os assentamentos palestinos na Cisjordânia. Kerry afirmou que, apesar dos comentários, espera que Turquia e Israel encontrem uma maneira para restabelecer as boas relações bilaterais. / AP

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