Kerry diz na Suíça que Assad tem de deixar o poder

O secretário de Estado norte-americano John Kerry abriu a aguardada conferência internacional, que tem como meta encerrar a guerra civil na Síria, exigindo a saída do presidente Bashar Assad e sua família do poder.

Agência Estado

22 de janeiro de 2014 | 09h30

As declarações de Kerry, feitas nesta quarta-feira, foram imediatamente refutadas pelo ministro de Relações Exteriores da Síria, Walid al-Moallem, que acusou os Estados Unidos e seus aliados no Oriente Médio, particularmente Turquia e Arábia Saudita, de apoiar grupos terroristas, que combatem o regime de Damasco.

O impasse entre os diplomatas destaca os principais obstáculos enfrentados pela comunidade internacional durante a conferência na Suíça sobre a guerra que já dura quase três anos e deixou mais de 100 mil mortos.

"Temos de lidar com a realidade, realmente temos. Isso significa que Bashar Assad não será parte do governo de transição", disse Kerry na abertura da conferência internacional, em Montreux. "O homem que liderou a resposta brutal contra seu próprio povo não pode recuperar a legitimidade."

Em discurso logo a seguir, Moallem declarou que Estados Unidos, Arábia Saudita e Turquia apoiam os grupos rebeldes ligados a Al-Qaeda e outros grupos extremistas. Ele afirmou que esse apoio pode espalhar o terrorismo muito além das fronteiras sírias.

"Aqueles que realizam ataques suicidas em Nova York, são os mesmos que o fazem na Síria", afirmou Moallem. "É certo que não vai parar por aqui. A maioria deles não quer entender isso, nem os Estados Unidos."

O ministro reafirmou mais uma vez que ninguém tem o direito de retirar Assad do poder, a não ser os próprios sírios e criticou as declarações do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, a respeito do conflito, dizendo a ele que "você vive em Nova York, eu vivo na Síria."

Logo após o discurso de Moallem, o líder da Coalizão Nacional Síria, grupo opositor que tem o apoio do Ocidente, declarou que qualquer discussão a respeito da permanência de Assad no poder vai efetivamente encerrar as negociações de paz antes mesmo de serem iniciadas. Minutos após as declarações do ministro sírio, Ahmad al-Jarba, disse que o propósito do encontro é estabelecer um governo de transição.

A reunião em Montreux marca a primeira vez que oposição e governo sírio estabelecem negociações diretas sobre o assunto. Fonte: Dow Jones Newswires e Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
SíriaconferênciaSuíçaKerry

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.