Brendan Smialowski/AFP
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Kerry diz que ataque russo deve ser contra EI e não contra opositores de Assad

As declarações do secretário americano foram dadas durante reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) convocada por Moscou para discutir a situação do Oriente Médio e o combate ao terrorismo

Cláudia Trevisan Enviada especial, Nova York, O Estado de S. Paulo

30 Setembro 2015 | 15h06

O secretário de Estado, John Kerry, afirmou na manhã desta quarta-feira, 30, que os bombardeios da Rússia na Síria devem ser dirigidos a posições do Estado Islâmico (EI) e outros grupos terroristas no país e não à oposição moderada a Bashar Assad. “Não podemos confundir nossa luta contra o ISIL com o suporte a Assad”, disse Kerry, adotando a sigla normalmente adotada pelo governo americano para se referir à organização.

As declarações do secretário americano foram dadas durante reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) convocada por Moscou para discutir a situação do Oriente Médio e o combate ao terrorismo. O debate evidenciou a divisão entre aliados da Rússia e dos EUA em relação à melhor estratégia para solução da crise na Síria. 

O governo de Vladimir Putin realizou na manhã desta quarta-feira seus primeiros bombardeios aéreos na Síria, um ano depois de os EUA terem iniciado suas ações no país. No encontro do Conselho de Segurança, o ministro das Relações Exteriores do país, Serguei Lavrov, defendeu a criação de uma ampla coalizão de combate ao terrorismo, com a participação de Assad e do Exército sírio.

Além dos EUA, a proposta foi rejeitada por França e Inglaterra. Os três países detêm poder de veto dentro do organismo ao lado de Rússia e China. O representante de Pequim se alinhou com a posição de Moscou ao defender uma solução política para a crise que abranja os interesses de “todas as partes” e se posicionar contra a intervenção externa “arbitrária” na região.

Os ministros das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, e da Inglaterra, Philip Hammond, criticaram a omissão do Conselho de Segurança na crise síria e a incapacidade do organismo de aprovar resoluções que autorizem ação coordenada de seus membros. A Rússia tem usado seu poder de veto para barrar propostas que considera contrárias aos interesses de seu aliado Assad. “O Conselho de Segurança tem sido infelizmente o conselho da impotência”, afirmou Fabius.


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