AP/Patrick Semansky
AP/Patrick Semansky

Kerry diz que EUA esperam 'ações imediatas' do Brasil para que promessa de Bolsonaro vire resultado

Em publicação no Twitter, enviado especial do clima do governo americano confirma que os EUA aguardam mais do que o apresentado na carta enviada pelo brasileiro e cobram a concretização de promessas

Beatriz Bulla / Correspondente , O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2021 | 16h15

WASHINGTON - O enviado especial do clima do governo americano, John Kerry, saudou nesta sexta-feira, 16, o compromisso do presidente Jair Bolsonaro de acabar com o desmatamento ilegal até 2030, mas disse esperar do Brasil "ações imediatas" e engajamento com a sociedade civil para que a promessa gere resultados.

"O compromisso do presidente Jair Bolsonaro de eliminar o desmatamento ilegal é importante. Esperamos ações imediatas e engajamento com as populações indígenas e a sociedade civil para que este anúncio possa gerar resultados tangíveis", disse Kerry, em mensagem publicada no Twitter.

Bolsonaro enviou nesta semana uma carta para convencer a Casa Branca de que está comprometido com a preservação ambiental. Mas o recado, que repete o pedido constante do atual governo brasileiro por pagamentos internacionais ao País por serviços ambientais, não mudou os ânimos na capital americana. Conforme revelou o Estadão, o time de Biden ainda diz nos bastidores aguardar ações concretas e imediatas de Bolsonaro, além de promessas, após o recebimento da carta.

Na publicação feita no Twitter nesta sexta-feira, Kerry confirma que os americanos aguardam mais do que o apresentado no texto enviado por Bolsonaro e cobram a concretização de promessas feitas na carta, como o compromisso assumido pelo brasileiro de se engajar com a sociedade civil.

Os termos do que o Brasil pretende apresentar na reunião de líderes mundiais convocada por Biden para os dias 22 e 23 estão no documento enviado de Brasília a Washington. Bolsonaro se comprometeu a eliminar o desmatamento ilegal no País até 2030, algo que seu governo já havia prometido como resultado do Acordo de Paris, do qual o Brasil é signatário. 

Desde o dia 17 de fevereiro, quando o chamado czar do clima americano, John Kerry, conversou por telefone com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, os times dos dois governos têm dialogado sobre os compromissos ambientais do Brasil. Os EUA tentam negociar em uma posição colaborativa, apesar de Biden ter dito durante a campanha que o País poderia sofrer sanções econômicas caso não se comprometesse com a preservação da Floresta Amazônica.

Às vésperas do evento, democratas e ambientalistas têm pressionado o governo americano a não se comprometer com assistência ou verbas ao Brasil caso Bolsonaro não deixe claro como irá executar as metas apresentadas.

Uma das opções que chegou a ser estudada pelo governo brasileiro foi a de anunciar durante a próxima semana investimento nos órgãos ambientais como Ibama e Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), além de um fortalecimento financeiro do Ministério do Meio Ambiente. 

Os americanos vêm cobrando sinais de que o governo Bolsonaro irá interromper um ciclo de esvaziamento dos órgãos ambientais. Reportagem do Estadão revelou que o ICMBio, por exemplo, vive extrema restrição financeira, o que levou o órgão a elencar uma série de paralisações que terá de executar devido ao corte de recursos.

Diplomatas brasileiros defendem que o governo indique que irá recuperar a capacidade financeira dos institutos ambientais já existentes, como resposta à pressão internacional. Mas o Planalto avalia que o imbróglio em torno da aprovação do orçamento é um impeditivo para o anúncio de investimentos. O tema é considerado internamente, mas, segundo aliados de Bolsonaro, depende de um avanço nas discussões com o Congresso.

 

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