Kerry encerra giro internacional que teve foco na crise da Síria

Secretário de Estado passou por Egito, Turquia, Arábia Saudita e Catar e deixou claro apoio aos rebeldes sírios

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2013 | 02h10

A guerra civil na Síria foi a prioridade de John Kerry em sua primeira viagem como secretário de Estado ao Oriente Médio. O novo chefe da diplomacia americana passou por Egito, Turquia, Arábia Saudita e Catar e deixou claro que a administração de Barack Obama passará a aumentar o apoio à oposição contra o regime de Bashar Assad, que enfrenta há dois anos protestos por sua saída do poder e um movimento rebelde armado.

No caso da Síria, além de anunciar a ajuda militar não letal de US$ 60 milhões para grupos opositores não ligados a jihadistas, Kerry voltou a indicar ontem que os EUA estariam treinando opositores sírios em países vizinhos. Na viagem, o secretário de Estado, que anos atrás chegou a ser o responsável pela aproximação americana com Bashar Assad, indo ao menos cinco vezes para Damasco, coordenou com a Turquia, Catar e a Arábia Saudita ações para tentar acabar com o regime do líder sírio.

Em entrevista para CBS, Kerry afirmou que "este é o momento para Assad perceber que ou ele se senta para negociar, ou a oposição vai ganhar cada vez mais apoio". O líder sírio diz que os opositores que rejeitam negociar com o seu governo.

Na viagem, Kerry anunciou também uma ajuda para a economia do Egito e pressionou o governo da Irmandade Muçulmana a implementar as reformas econômicas consideradas necessárias pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). Sobre o Irã, afirmou que a prioridade ainda é a diplomacia, mas deixou claro, seguindo a linha da administração de Barack Obama, que há um limite para as negociações e uma intervenção militar não foi descartada.

Israel e Palestina ficaram de fora das declarações de Kerry. A Casa Branca prefere evitar polêmicas antes da viagem de Obama a Jerusalém em duas semanas. O vice-presidente Joe Biden, que possui uma ótima relação com os israelenses, tem mantido contato com o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.

As negociações de paz entre palestinos e israelenses estão paralisadas desde 2010. O Fatah, que controla a Cisjordânia, defende o fim dos assentamentos para voltar a negociar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.