Kerry pede a Israel que evite novas construções

Secretário de Estado dos EUA, no entanto, diz que tema não deve ser precondição para a retomada das negociações de paz

TEL-AVIV , O Estado de S.Paulo

25 Maio 2013 | 02h05

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, pediu ontem ao governo de Israel que evite novas construções em assentamentos, para revitalizar as negociações de paz no Oriente Médio. De acordo com o chefe da diplomacia americana, israelenses e palestinos devem permanecer focados no objetivo maior, que é retomar as negociações diretas.

Ao contrário de declarações anteriores de funcionários do governo americano, desta vez Kerry não exigiu um completo congelamento dos assentamentos e disse que a questão pode ser tratada melhor por meio de um rápido reinício das negociações entre israelenses e palestinos.

"Estamos tentando voltar às negociações sem precondições", disse Kerry. "Não pretendemos ficar presos em um lugar discutindo sobre um tema tão importante que é, na verdade, parte de um acordo final."

Divergências. A ONU apoia a exigência de Israel, de que as negociações sejam retomadas sem precondições, posição endossada por Kerry após dois dias de reuniões em Jerusalém e em Ramallah com líderes israelenses e palestinos, que exigem, no entanto, a interrupção das construções antes de retornar às negociações.

Kerry disse que é importante não permitir que os assentamentos prejudiquem as negociações, que poderiam estabelecer uma fronteira entre os dois territórios, como parte de um acordo de paz. Assim, de acordo com ele, a questão seria resolvida, porque cada lado teria limites claros para exercer sua soberania em dois Estados.

Assentamentos. "A posição dos EUA, no que diz respeito aos assentamentos, é clara e não mudou. Acreditamos que eles devem ser interrompidos", disse Kerry. "Essa é uma posição não apenas nossa, mas da comunidade internacional."

Apesar das dificuldades em levar israelenses e palestinos de volta à mesa de negociação, Kerry acredita que a paz ainda é possível. "Os dois lados sabem quais são suas escolhas. Os dois lados sabem o que é necessário para seguir adiante e é hora de os governos tomarem suas decisões."

Kerry não anunciou uma data específica para a retomada das negociações e garantiu que não há um prazo máximo para que isso ocorra. De acordo com os negociadores palestinos, no entanto, o limite seria junho. Após essa data, se não houver progresso, eles entrariam com um pedido de adesão ao Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia.

Israel teme que a entrada dos palestinos no TPI possa aumentar o apoio internacional à Autoridade Palestina. Além disso, a adesão de Ramallah ao TPI abriria caminho para a formalização de acusações de crimes de guerra contra as forças de ocupação israelenses. / REUTERS, NYT e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.