Kerry questiona papel do Irã no combate ao EI

Secretário de Estado dos EUA diz que não seria adequado Teerã participar de ações de coalizão em razão do apoio a Assad

O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2014 | 18h17

ANCARA - O secretário de Estado americano, John Kerry, declarou nesta sexta-feira, 12, estar tranquilo com a formação de uma coalizão de base ampla pelos Estados Unidos para combater os militantes do Estado Islâmico, mas disse que não seria adequado o Irã se envolver nessas ações.

Kerry vem percorrendo o Oriente Médio para angariar apoio ao plano do presidente Barack Obama, anunciado na quarta-feira, de atacar os dois lados da fronteira entre Síria e Iraque para derrotar os combatentes sunitas radicais, que controlam partes dos dois países.

"Estou tranquilo porque esta será uma coalizão de base ampla com nações árabes, europeias, os EUA e outras", disse Kerry, falando em Ancara depois de se reunir com líderes turcos.

Ele afirmou que a França tornou pública sua disposição de agir no Iraque e usar a força, mas disse ser muito cedo para dizer que papel cada nação em particular irá desempenhar. "É totalmente prematuro e, francamente, inadequado a esta altura começar a dispor, país por país, o que cada nação irá fazer. Na hora certa, cada papel será determinado em detalhes."

A Turquia, membro da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) que compartilha fronteiras com Síria e Iraque, é uma das maiores aliadas de Washington na região, mas até agora evitou explicitamente se comprometer com a nova campanha militar. Os turcos prometeram "sempre fornecer todo o apoio necessário à ajuda humanitária", mas não garantiram a participação de suas forças de segurança.

Na quinta-feira, o secretário de Estado obteve o apoio de dez países árabes - Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e seis Estados do Golfo Pérsico, entre eles Arábia Saudita e Catar -, para uma "campanha militar coordenada" contra o Estado Islâmico.

A Arábia Saudita concordou a atuar como base de operações para treinar e equipar combatentes moderados da oposição síria na luta contra o EI, segundo revelou na quinta uma alta funcionária americana.

Reunião. Os EUA consideraram inapropriado que o Irã participe da reunião em Paris para discutir as ações de combate marcada para segunda-feira. Kerry disse que os iranianos não deveriam comparecerem razão do apoio ao regime do presidente sírio, Bashar Assad.

O secretário de Estado disse que não recebeu solicitação formal para que o Irã participe do encontro de diplomatas. / AP, EFE e REUTERS

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