Kerry rejeita Assad em governo de transição na Síria

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, insistiu nesta quinta-feira que o presidente sírio, Bashar Assad, deve renunciar ao posto como parte de uma solução política para o conflito na Síria.

AE, Agência Estado

09 de maio de 2013 | 07h34

Falando frente ao ministro de Relações Exteriores da Jordânia, Nasser Judeh, o secretário disse que todos os lados estão trabalhando para colocar em "efeito um governo de transição por mútuo consentimento de ambas as partes, o que significa claramente que, em nosso julgamento, o presidente Assad não será um componente deste governo de transição".

Kerry também revelou oficialmente que os EUA oferecerão uma ajuda humanitária adicional de US$ 100 milhões para refugiados sírios. Quase metade do montante deverá ajudar os jordanianos, tendo em vista que uma grande onda de pessoas está deixando a Síria para os países vizinhos por causa do conflito de 26 meses.

Cerca de 2.000 pessoas estão se direcionando para a fronteira com a Jordânia a cada dia e o país abriga agora cerca de 525 mil refugiados, disse Judeh no início das conversações em Roma.

Segundo o ministro, cerca de 10% da população da Jordânia é composta de refugiados sírios e este número deve subir para cerca de 20% a 25% levando "em conta as taxas atuais até o final deste ano". Para ele, taxa deve avançar para cerca de 40% em meados de 2014.

"Nenhum país pode lidar com os números tão grandes quanto os números que eu acabei de descrever", alertou, acrescentando que a Jordânia é muito grata pela ajuda da comunidade internacional.

Os planos para criar uma conferência internacional para tentar encontrar uma solução para a crise também continuam, disse Kerry. Em Moscou, anteriormente, o secretário concordou em trabalhar com o ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, sobre o tema.

Ele havia falado com a maioria dos ministros de Relações Exteriores dos países envolvidos e, segundo Kerry, há uma "resposta muito positiva e um forte desejo" em criar a conferência e "tentar encontrar ou, pelo menos, esgotar as possibilidades de encontrar um caminho político" para a solução.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, também está em contato, por isso "vamos avançar de forma direta para trabalhar com todos os lados e criar essa conferência juntos", acrescentou Kerry.

A conferência, que visa encontrar um caminho para criar um governo de transição na Síria, pode ser realizada até o final de maio. Embora nenhum local tenha sido definido, Genebra poderia sediar as negociações.

O embaixador dos EUA na Síria, Robert Ford, se reuniu com a oposição síria em Istambul na quarta-feira para discutir o caminho a seguir, disse Kerry.

Desde que a guerra estourou para derrubar Assad, mais de 1,5 milhão de sírios fugiram do país para países vizinhos, incluindo a Turquia, Jordânia e Líbano. Até quatro milhões a mais podem ter se deslocados dentro do país. AS informações são da Dow Jones.

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