Kerry sofre com piada sobre Iraque; Bush faz campanha

O presidente americano George W. Bush se dirigiu ao oeste do país para fazer campanha para os candidatos republicanos nesta quinta-feira, depois de reafirmar sua confiança de que seu partido manterá o controle tanto no Senado quanto na Câmara dos Representantes nas eleições da próxima semana. Com as pesquisas mostrando a oposição do povo à guerra no Iraque, os democratas expressaram um otimismo crescente nos últimos dias de que ganharão as 15 cadeiras que precisam para ganhar o controle na Câmara. Eles precisam de seis cadeiras para ganhar o Senado, um desafio muito maior, e ambos os partidos se esforçam até o último minuto para conseguir votos. "Eu não acredito que esteja acabado até que todos votem", disse Bush na quarta-feira. "E acredito também que as pessoas estejam preocupadas com a quantidade de impostos que pagam, e sei que muitas estão preocupadas se este país é ou não seguro contra ataques." Bush faz campanha nesta quinta em Montana e Nevada. Enquanto isso, o senador John Kerry, principal oponente na corrida presidencial de 2004, estava se reorganizando um dia depois de ter se desculpado com os membros do Exército americano por declarações que muitos interpretaram como sendo um insultado aos soldados dos Estados Unidos no Iraque - e que o tiraram do caminho, pelo menos temporariamente. Kerry vinha fazendo campanha ativamente pelos candidatos democratas, mas cancelou aparições em três Estados depois do tumulto causado por suas declarações na noite de segunda-feira, em uma universidade da Califórnia. O futuro papel do senador de Massachusetts na corrida pelas eleições da próxima terá é incerto já que os candidatos democratas ao Senado se distanciaram após suas declarações. Kerry pediu desculpas "a qualquer membro do serviço americano, membros de suas famílias ou cidadão americano" que tenha se ofendido pelas declarações considerada pelos republicanos e por alguns democratas como um insulto ao Exército americano no Iraque. Kerry caracterizou as declarações como resultado de uma piada mal feita. Mas seis dias antes das eleições, ele disse que quer evitar tornar-se uma distração nos últimos dias da batalha pelo controle do Congresso. E acrescentou que se arrepende sinceramente por suas palavras terem sido "mal interpretadas para implicar qualquer coisa negativa sobre os soldados". Os democratas demonstraram temor diante do prospecto de Kerry se tornar o representante do partido pela segunda vez consecutivo na campanha nacional. "Ninguém quer ver um ´replay´ das eleições de 2004", afirmou a senadora Hillary Rodham Clinton, que, como Kerry, é uma competidora em potencial para a indicação presidencial do Partido Democrata em 2008. "Qualquer um que esteja em um aposição de servir esse país deve entender as conseqüências de suas palavras", disse Bush. A primeira-dama, Laura Bush, que fazia campanha em Ohio, não se referiu diretamente às declarações de Kerry, mas disse que os americanos que falam da guerra no Iraque - especialmente políticos - deveriam tomar cuidado com o que dizem. Kerry gerou controvérsia quando disse a um grupo de estudantes da Califórnia que indivíduos que não estudam muito e não fazem suas lições de casa provavelmente terminariam "encalhados no Iraque". Segundo seus aliados, o senador pulou sem querer uma palavra na leitura de seu discurso preparado anteriormente, que continha a frase "você terminara tão encalhado quanto numa guerra no Iraque". Neste contexto, de acordo com eles, estava claro que Kerry estava se referindo a Bush, e não aos soldados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.