Kerry tenta acalmar tensões em Jerusalém

Kerry tenta acalmar tensões em Jerusalém

Em visita à Jordânia, secretário de Estado dos EUA reuniu-se com os líderes palestino e israelense em meio à crescente violência

O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2014 | 19h08


AMÃ - O secretário de Estado americano, John Kerry, anunciou ontem que foram alcançados compromissos para se reduzir a tensão entre israelenses e palestinos em Jerusalém Oriental, após as conversas mantidas ontem, em Amã, com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e o rei Abdullah II, da Jordânia.

Segundo o chefe da diplomacia americana, houve um acordo para se manter o status quo em Jerusalém Oriental, anexado por Israel. Jordânia e Israel, responsáveis pela custódia da Esplanada das Mesquitas na Cidade Santa, também se dispuseram a “tomar passos” para diminiuir a tensão e se restabelecer a confiança na cidade.

Kerry encontrou-se, mais cedo, com o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas. O líder palestino disse a ele que “as violações israelenses já não podem ser toleradas, especialmente quando se referirem à mesquita Al-Aqsa e Jerusalém”, segundo seu porta-voz, Nabil Abu Rudeina.

A Esplanada das Mesquitas, lugar sagrado para judeus e muçulmanos e onde está a Al-Aqsa, está no centro das disputas. Palestinos estão indignados por uma campanha de grupos de extrema direita judeus que pedem o direito de rezar neste lugar, apesar de Israel ter garantido que não tem a intenção de mudar o antigo status quo segundo o qual os judeus podem visitar o local, mas não fazer orações ali.

No entanto, as contínuas visita de radicais israelenses, a recente entrada de policiais ao templo ou medidas iminentes como a reinstalação de detectores de metal (retirados em 2000) e de sistemas de reconhecimento facial na entrada da Esplanada têm sido interpretadas como “gravíssimas provocações” por parte dos palestinos.

O encontro, segundo o palácio real jordaniano, tinha por objetivo “estabelecer as condições para se relançar as negociações de paz entre palestinos e israelenses”.

A visita do americano à Jordânia ocorre, porém, um dia depois de Israel aprovar a construção de 200 novas casas em Jerusalém Oriental. Os EUA afirmam que novos assentamentos podem enterrar as perspectivas de reabertura de um diálogo de paz no futuro próximo.

As reuniões coincidiram também com a deterioração das relações entre Israel e Jordânia, que na semana passada chamou para consultas seu embaixador em Tel-Aviv em protesto pelas recentes violações cometidas por Israel na Esplanada das Mesquitas.

Enquanto isso, a violência persiste na Cidade Sagrada. Ontem, houve novos enfrentamentos entre jovens palestinos, com pedras, e soldados israelenses, com gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Um menino palestino ficou ferido após ser atingido por uma bala de borracha no bairro árabe de Isawiya, onde cerca de cem pessoas tentavam ocupar a rua principal em resposta ao bloqueio da polícia das entradas ao bairro.

A presença policial israelense é maciça nos bairros de Jerusalém Oriental, cuja agitação aumentou e a violência causou a morte de pelo menos uma dezena nas últimas semanas. / AFP e EFE

 

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