Kerry vê 'forte indício' de ataque químico sírio

Secretário de Estado americano eleva o tom das acusações contra o regime Assad

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2013 | 02h03

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, elevou ontem o tom das acusações contra a Síria e disse que "há fortes evidências" de que o regime de Bashar Assad fez uso de armas químicas. Até ontem, Washington - ao contrário de vários de seus aliados - vinha mantendo cautela diante das informações de que Damasco empregou seu arsenal proibido.

"Essa luta (na Síria) é sobre terríveis decisões tomadas pelo regime Assad com intenção de matar em qualquer parte", disse o secretário de Estado durante um evento organizado pelo Google. Em seguida, completou que há "fortes evidências de que gás foi usado".

Inicialmente, o governo de Barack Obama havia estabelecido o uso de armas químicas como a "linha vermelha" que, caso ultrapassada, levaria a uma intervenção dos EUA. Mas Washington imaginava um cenário no qual o uso desse armamento ocorreria em larga escala - e não em casos pontuais, como relatado pela oposição síria e por aliados dos EUA.

Republicanos estão atacando a "ambiguidade" da Casa Branca em relação a Assad, afirmando que o governo Obama demonstra mais uma vez sua "fraqueza". Líderes da oposição, como o senador John McCain, pressionam pelo envio de armas aos rebeldes sírios, além da imposição de uma zona de exclusão aérea sobre o país árabe.

Ainda ontem, a Rússia anunciou que não pretende voltar a vender um sofisticado sistema de defesa aérea ao regime Assad, o qual dificultaria ataques de Israel ou mesmo uma eventual intervenção militar do Ocidente. Dois dias após Kerry passar por Moscou, o chanceler russo, Sergei Lavrov, afirmou ontem que não há planos para fornecer novos e mais modernos mísseis terra-ar S-300 à Síria. No entanto, Lavrov deixou aberta a possibilidade de vender essas armas com base em um acordo militar que já está existe entre Moscou e Damasco.

Segundo noticiou esta semana o Wall Street Journal, Israel informou aos EUA que a Rússia estaria prestes a vender o sistema de defesa à Síria. Caças israelenses atacaram duas vezes nas últimas semanas o território sírio com o suposto objetivo de destruir arsenais de mísseis que seriam entregues ao grupo xiita libanês Hezbollah.

O chanceler russo foi questionado sobre o possível fornecimento por jornalistas enquanto visitava a capital polonesa, Varsóvia. "A Rússia não está planejando vendas. Ela já os vendeu há muito tempo", disse Lavrov. O ministro, porém, afirmou ainda que Moscou está "completando a entrega" de sistemas de defesa antiaérea cuja venda já havia sido firmada.

A pergunta tratava especificamente do caso dos S-300, mas Lavrov falou de modo geral. O chanceler russo reforçou que os contratos existentes entre seu país e o regime Assad limitam-se a armamento defensivo e estão de acordo com o direito internacional. "Eles têm o objetivo de fazer com que a Síria, como importadora, tenha a capacidade de se proteger contra ataques aéreos, o que não constitui um cenário fantástico", disse. Lavrov foi a Varsóvia para um encontro de cooperação regional com Polônia e Alemanha. / AP

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