Khadafi culpa Al-Qaeda por protestos na Líbia

Falando por telefone a um canal de TV, líder líbio culpou 'uso excessivo de drogas' por manifestações de jovens.

BBC Brasil, BBC

24 de fevereiro de 2011 | 12h15

Khadafi atribuiu a crise a jovens sob influência de drogas

O líder da Líbia, o coronel Muamar Khadafi, culpou nesta quinta-feira a rede extremista Al-Qaeda e o seu líder, Osama Bin Laden, pelos protestos contra o governo que estão sacudindo o país desde 15 de fevereiro.

Em pronunciamento por telefone, transmitido pela TV estatal líbia, Khadafi falou aos seus concidadãos supostamente a partir da cidade de Zawiyah, onde estão sendo registrados enfrentamentos entre forças pró e contra o governo.

Khadafi disse que as manifestações, marcadas por uma grande participação de jovens, estão sendo causadas pelo "uso excessivo de drogas".

"Voltem para as suas casas, conversem com os seus filhos", disse Khadafi. "Eles são jovens, eles estão armados, estão usando granadas, estão atacando delegacias de polícia. Isso é causado pelo uso excessivo de drogas."

Na última terça-feira, o coronel fez um outro discurso em que indicou que não pretende deixar o poder e que lutará "até a última gota de sangue".

O líder disse que os organizadores do protesto - terroristas internacionais - estão "levando os seus filhos para a morte".

"Eles não dão a mínima se o seu país (a Líbia) está sendo destruído", afirmou.

A manifestação do líder líbio veio em meio a novos enfrentamentos entre forças a favor do seu regime e contra o governo, principalmente no oeste do país, onde o governo ainda mantém o controle de algumas localidades.

Também a capital, Trípoli, continua sendo uma espécie de bastião do regime. Mas a segunda e a terceira cidades do país, Benghazi e Misurata, foram tomadas pela oposição, assim como outras cidades na costa do Mar Mediterrâneo, como Sabratha.

Povo armado

Em Benghazi, sob firme controle dos manifestantes anti-regime, armas roubadas da polícia e do Exército estão sendo distribuídas para a população disposta a lutar pela derrubada do regime.

Em resposta, um porta-voz do chamado Comitê Popular para a Segurança Geral da Líbia, do lado governista, foi à TV conclamar aos opositores que devolvam armas "adquiridas ilegalmente" e promoter perdão aos que o fizerem.

O militar também prometeu recompensa aos que delatarem jovens armados atuando contra o regime e divulgou um número telefônico para denúncias.

Líbios em Benghazi festejam e se preparam para luta em Trípoli

O ex-ministro da Justiça Mustafa Abdel-Jalil, que abandonou o cargo em protesto à repressão aos manifestantes, disse que não haverá negociações com o regime de Khadafi e pediu que o líder líbio, no poder desde 1969, renuncie imediatamente.

Imagens divulgadas pela TV Al Jazeera mostraram líderes tribais e políticos discursando em uma sala de conferências na cidade de Al-Bayda, no leste do país, entre cânticos de "Trípoli é nossa capital".

Testemunhas afirmam que a capital está sendo patrulhada por grupos fortemente armados a favor do governo, incluindo milícias que se deslocam pela cidade em veículos.

Há relatos de tanques em movimento nos subúrbios da cidade, assim como de invasão de residências por forças de segurança do governo, em busca de opositores.

Organizações de direitos humanos divergem quanto ao número de vítimas do regime. O patamar mínimo parece ter alcançado os 300 mortos.

Na quarta-feira, o filho dele, Saif Al-Islam, apareceu na TV nacional afirmando que a situação no país era "normal".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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