Khadafi está a salvo em Trípoli, diz filho do líder líbio

Tido como preso pelos rebeldes, Saif Al-Islam apareceu no hotel onde jornalistas estrangeiros estão hospedados.

BBC Brasil, BBC

22 de agosto de 2011 | 21h21

Saif Al-Islam Khadafi, filho do líder líbio, coronel Muamar Khadafi, disse nesta segunda-feira que seu pai continua em Trípoli, apesar do aparente avanço das forças rebeldes na capital do país, e disse que o governo "quebrou a espinha dos insurgentes".

Conduzido por um veículo blindado, o filho de Khadafi apareceu no hotel onde os jornalistas estrangeiros estão hospedados, no centro de Trípoli.

Questionado se seu pai continua a salvo na capital, Saif Al-Islam - tido por muitos como potencial sucessor do líder líbio - respondeu de maneira curta: "é claro".

O correspondente da BBC em Trípoli Matthew Price diz que o filho do líder líbio parecia confiante, embora, segundo relatos, os insurgentes tenham tomado o controle da maior parte da capital líbia.

"Nós quebramos a espinha dos rebeldes. Era uma armadilha. Nós os fizemos passar por maus bocados, então estamos ganhando", disse.

Nesse domingo, Mustafa Abdel Jalil, líder do Conselho Nacional de Transição, órgão político criado pelos rebeldes, disse que Saif Al-Islam estava detido, junto de outros dois filhos de Khadafi, Muhammad e Saadi.

No entanto, segundo o correspondente da BBC, ainda não está claro se o filho de Khadafi foi detido e depois libertado, ou se ele chegou mesmo a ser preso em algum momento.

De acordo com Price, o fato mais importante parece ser que, enquanto todos pensavam que Khadafi estava praticamente derrubado pelo avanço dos insurgentes, um alto integrante do governo aparece em público e dá indícios de que as forças do regime ainda não estão totalmente derrotadas.

Combate em Trípoli

Rebeldes que tentam tomar o controle de Trípoli ainda enfrentam a resistência por parte de tropas leais a Khadafi, que é perseguido pelos insurgentes.

Os rebeldes disseram que, até noite desta segunda (horário local), haviam ocupado cerca de 80% da capital da Líbia, incluindo a sede da TV estatal. Mas um correspondente da BBC que acompanha um dos comboios rebeldes ressalta que as forças de Khadafi reconquistaram parte do território desde então.

O movimento pela tomada de Trípoli foi iniciado na madrugada de domingo pelos insurgentes, que estabeleceram postos de checagem na cidade.

Centenas de moradores saíram às ruas para celebrar. Ao mesmo tempo, violentos confrontos explodiram nos arredores do quartel-general de Khadafi e em outras partes da cidade.

Tropas pró-Khadafi continuavam no controle das ruas ao redor de um importante hotel de Trípoli, o Rixos, onde se hospedam diversos jornalistas ocidentais.

"Estamos nos preparando para mais uma noite de intensos combates", disse à BBC um morador da capital. "Acho que as forças de Khadafi vão recorrer a técnicas de guerrilha porque sabem que não têm o apoio da população."

Mas outro morador criticou os rebeldes, dizendo que estes estavam "invadindo as casas das pessoas e roubando tudo".

O porta-voz do regime de Khadafi, Moussa Ibrahim, disse que 1,3 mil pessoas foram mortas na cidade entre domingo e segunda-feira. O número não pode ser confirmado de forma independente.

A TV líbia controlada por rebeldes diz que forças pró-Khadafi estão "bombardeando indiscriminadamente" áreas vizinhas ao quartel general de Khadafi, em Bab al-Azizia.

Paradeiro de Khadafi

Mustafa Abdel Jalil, líder do Conselho Nacional de Transição, órgão político criado pelos rebeldes, disse que os insurgentes só declararão vitória quando Khadafi for encontrado. Seu paradeiro era desconhecido até a noite desta segunda-feira.

"Não sabemos se ele ainda está (em seu complexo, em Trípoli), nem se está dentro ou fora da Líbia", afirmou Jalil.

Ao mesmo tempo, cresce a pressão internacional para que Khadafi renuncie. A China disse que respeitará o desejo da população líbia e a Rússia se declarou neutra em relação ao avanço rebelde em Trípoli. O Egito se tornou o mais recente de uma série de países a reconhecer o Conselho de Transição como o governo legítimo da Líbia.

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta segunda que "o regime de Khadafi (em vigor há 42 anos) está chegando ao fim e que o futuro da Líbia está nas mãos do povo", mas instou os rebeldes a evitar a violência.

A correspondente da BBC Rana Jawad, que está em Trípoli, disse que há na cidade a sensação de que o fim dos combates pode estar próximo e que os rebeldes tendem a sair vitoriosos.

Na Praça Verde, que recentemente fora palco de protestos pró-Khadafi, apoiadores dos rebeldes arrancaram, entre domingo e segunda-feira, as bandeiras verdes identificadas com o regime do líder líbio.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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