Khadafi está pronto para aceitar cessar-fogo, diz presidente sul-africano

Plano, que já fora rejeitado por rebeldes e pela Otan, volta a ser apresentado durante ida de Jacob Zuma à Líbia.

BBC Brasil, BBC

30 de maio de 2011 | 21h09

Após encontro com Muamar Khadafi, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, declarou nesta segunda-feira que o líder líbio está "pronto" para aceitar o plano da União Africana por um cessar-fogo na Líbia, que inclua a interrupção dos bombardeios da Otan (aliança militar ocidental).

"Ele (Khadafi) está pronto para implementar o mapa do caminho", disse Zuma, que viajou nesta segunda a Trípoli, capital da Líbia, na tentativa de resolver o impasse no país norte-africano. A viagem foi vista por muitos comentaristas como a última tentativa de solução diplomática para o conflito líbio.

Não há, porém, nenhum indicativo de que Khadafi tenha a intenção de deixar o poder - o que é exigido pela Otan e pelos rebeldes que lutam contra o regime líbio. Ambos haviam rejeitado plano semelhante feito pela União Africana justamente porque ele não previa a retirada de Khadafi.

Durante o encontro entre Zuma e Khadafi, a agência noticiosa estatal líbia Jana disse que o regime exige uma reunião com o Conselho de Segurança da ONU para revisar "os mecanismos para aplicar as resoluções na Líbia" (os ataques da Otan ocorrem com consentimento do CS da ONU, sob justificativa de impedir que as tropas de Khadafi ataquem os civis líbios).

Zuma, por sua vez, dissera, ainda antes do encontro com Khadafi, que um dos objetivos de sua visita, além de obter um cessar-fogo, era permitir o trânsito de ajuda humanitária na Líbia. Ele negou que suas conversas focariam uma eventual saída de Khadafi do poder.

O correspondente da BBC em Trípoli Andrew North relata que, apesar da relação pessoal entre Khadafi e Zuma, as perspectivas de que a visita do sul-africano derive em um acordo de paz ainda parecem remotas.

O "mapa do caminho" feito pela União Africana existe desde fevereiro e prevê um cessar-fogo imediato, mas foi rejeitado pelo Conselho Nacional de Transição, órgão criado pelos rebeldes, e pela Otan, por não prever a saída de Khadafi do poder.

A visita de Zuma ocorreu no mesmo dia que oito militares de alta patente desertaram o regime de Khadafi. Em entrevista coletiva em Roma, eles acusaram as tropas pró-regime de "genocidas" e pediram que outros soldados e policiais se unam à causa dos rebeldes.

Poucas horas depois da partida do sul-africano de Trípoli, há relatos de que a Otan tenha retomado os bombardeios contra as tropas de Khadafi no país.

Condenação

No domingo, o partido de Zuma condenou as ações militares da Otan contra a Líbia.

"Nos juntamos ao resto do continente e a todos os amantes da paz no mundo na condenação dos contínuos bombardeios da Líbia por parte das forças ocidentais", disse o Congresso Nacional Africano (CNA) em um comunicado, após encontro de dois dias.

A África do Sul votou a favor da resolução da ONU que autorizava o uso de força para a proteção de civis líbios, mas desde então tem se mostrado crítica à campanha militar da Otan.

A pressão internacional sobre Khadafi vem aumentando. O presidente russo Dmitry Medvedev disse no sábado que o líder líbio não tem mais o direito de governar o país. França e Grã-Bretanha disseram nos últimos dias que vão usar equipamentos mais sofisticados nas operações militares no país norte-africano.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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