Khadafi pede à ONU que proteja sua cidade natal

Coronel líbio manda carta ao Conselho de Segurança; porta-voz diz que ele continua na Líbia.

BBC Brasil, BBC

14 Setembro 2011 | 16h21

O coronel líbio Muamar Khadafi pediu nesta quarta-feira que o Conselho de Segurança da ONU proteja sua cidade natal, Sirte, contra o que chamou de "atrocidades" da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

O pedido atribuído a Khadafi, cujo paradeiro é desconhecido desde a tomada de Trípoli pelas forças do Conselho Nacional de Transição (CNT), foi lido pela TV Arrai, baseada na Síria e simpática ao regime líbio.

Na carta, lida por um apresentador da TV, Khadafi diz que "se Sirte está isolada do mundo para que atrocidades sejam cometidas, o mundo tem, então, a tarefa de não se abster, tomar responsabilidade internacional e intervir imediatamente para interromper este crime".

No texto, Khadafi diz que "a destruição comandada pela Otan na área de Sirte é indescritível e não tem paralelo na história".

A cidade natal de Khadafi é um dos poucos pontos de resistência do regime após a tomada da capital pelas forças do CNT (Conselho Nacional de Transição), que hoje já controlam a maior parte do país.

Sirte está sitiada desde a semana passada pelas forças do CNT, que chegaram a dar um ultimato às tropas leais à Khadafi para deixar pacificamente a cidade, o que não ocorreu.

Caçada

O chefe do CNT, Mustafa Abdul Jalil, disse nesta quarta-feira à BBC que Khadafi ainda é uma ameaça à Líbia.

As forças rebeldes continuam a caçada ao líder líbio e a seu filho, Saif al Islam. Os dois estão sujeitos a uma ordem de prisão emitida pela Interpol (polícia internacional) e a julgamento no TPI (Tribunal Penal Internacional), de Haia, na Holanda.

No último domingo, outro filho de Khadafi, Saadi Khadafi, buscou refúgio no Níger, onde ganhou asilo político.

A mulher de Khadafi, Saifa, e seus filhos Hannibal e Muhammad buscaram refúgio na Argélia. A filha Aisha também está no país, onde deu à luz um dia após sua fuga.

Na conversa com a BBC, Jalil disse que o CNT não irá se transferir integralmente de Benghazi a Trípoli até que as quatro cidades ainda obedientes a Khadafi (entre as quais Sirte) sejam tomadas pelas forças rebeldes.

Sarkozy

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, deve viajar nesta quinta-feira à Líbia, na primeira visita de um chefe de Estado ao país desde a queda do regime de Khadafi.

A informação é da revista francesa Marianne. Sarkozy deve ser recebido pelos líderes do CNT em Benghazi.

A França foi o primeiro país a reconhecer o CNT como governo interino da Líbia e um dos países a liderar as forças da Otan na ofensiva contra o regime de Khadafi.

Nesta quarta-feira, o CNT recebeu em Benghazi a visita da mais alta autoridade americana a visitar o país desde o início da revolta.

O secretário-assistente do Departamento de Estado Jeffrey Feltman disse que os Estados Unidos sempre reconhecerão a soberania líbia e que qualquer parceria entre os dois países será guiada pelo que as autoridades locais julgarem necessário.

Tortura

A Anistia Internacional pediu que o Conselho Nacional de Transição tome medidas para impedir a violação dos direitos humanos por parte das forças contrárias a Khadafi.

Em seu último relatório, a entidade de defesa dos direitos humanos diz que, apesar de a maior parte das violações até agora ter sido cometida por parte das tropas leais ao líder deposto, os combatentes ligados ao CNT também estão envolvidos em casos de tortura e execuções

No documento, a Anistia afirma que os abusos cometidos pelas tropas pró-Khadafi incluem ataques deliberados a civis, uma campanha ampla de desaparecimentos, detenção arbitrária e tortura - atrocidades que, segundo a entidade, poderiam ser consideradas crimes de guerra. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.