Khadafi rejeita reconhecimento internacional de rebeldes

Isolado, líder líbio fala em 'última chance' a estrangeiros que participam de missão da Otan.

BBC Brasil, BBC

15 de julho de 2011 | 17h57

O líder líbio, coronel Muamar Khadafi, rejeitou nesta sexta-feira o reconhecimento dado por diversos países ao conselho rebelde da Líbia como governo legítimo da Líbia.

"Reconheçam o chamado Conselho Nacional de Transição (CNT) um milhão de vezes. Isso não representa nada para a população líbia que vai esmagar suas decisões", disse ele, em pronunciamento transmitido em alto-falantes para a cidade de Zlitan.

Pouco antes, os Estados Unidos haviam anunciado o reconhecimento dos insurgentes durante reunião do chamado Grupo de Contato da Líbia, que reúne mais de 30 países. França, Turquia e a Itália já haviam reconhecido os rebeldes.

A medida significa que o CNT deve passar a dispor de cerca de US$ 30 bilhões (R$ 47 bilhões) congelados do governo líbio em contas no exterior. Analistas dizem que a injeção financeira deve aumentar em muito a credibilidade dos opositores de Khadafi.

"As garantias que o CNT ofereceu hoje reforçam nossa confiança de que eles são um interlocutor apropriado para os Estados Unidos nas negociações com a Líbia de hoje e do futuro", disse a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

'Ultima chance'

Em um pronunciamento transmitido na TV estatal líbia também nesta sexta-feira, Khadafi disse aos europeus que participam da campanha da Otan na Líbia que voltem a seus países "antes que seja tarde".

"Vocês que eram meus amigos na Europa, lhes aconselho a abandonar o erro antes que seja tarde, estamos lhes oferecendo uma saída, a aceitem e voltem para seus países", disse ele.

"Deixem nosso espaço aéreo e nossas águas e deixem os traidores encararem seus destinos."

Khadafi disse desejar a paz com as populações dos povos que participam da missão da Otan, mas se dirigiu aos que chamou de "advogados da guerra", afirmando que estes seriam "inimigos da humanidade".

"Eu tenho 5 milhões de líbios prontos para morrer. Tenho ainda que dar a eles o sinal verde para que marchem até vocês", disse.

Pressionado

O líder líbio se encontra cada vez mais pressionado na capital, Trípoli, enquanto parte do país está sob poder das forças rebeldes, que avançam com a ajuda dos bombardeios da Otan (aliança militar do Ocidente).

Na última semana, a oposição tomou um importante depósito de armamentos nos arredores da capital, fragilizando ainda mais o regime.

Cerca de 6 mil militares já desertaram. O Tribunal Penal Internacional, sediado em Haia, também emitiu mandados de prisão contra figuras-chave do regime líbio.

Enquanto isso, Tripoli vive uma crise de desabastecimento de petróleo e comida.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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