Leader.ir/Handout/Reuters
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Khamenei comemora fim das sanções, mas faz advertências

Ao se pronunciar pela primeira vez sobre o tema, o líder supremo iraniano também advertiu para a 'enganação' dos Estados Unidos

O Estado de S. Paulo

19 Janeiro 2016 | 16h37

TEERÃ - O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, elogiou o fim de uma parte das sanções internacionais contra seu país, mas advertiu para a "enganação" dos Estados Unidos, informou a agência oficial de notícias Irna. Ele afirmou considerar "um sucesso" , mas pediu às autoridades que mantenham a "desconfiança" com o Ocidente e exijam "que cumpram suas obrigações no acordo nuclear".

A figura política e religiosa máxima do país apoiou a resolução da crise causada pelo polêmico programa nuclear iraniano e os esforços do presidente, Hassan Rohani, para chegar a uma solução negociada em uma carta enviada a ele. "Expresso minha satisfação porque a resistência da grande nação iraniana contra as opressivas sanções, os esforços dos cientistas nucleares em avançar nesta importante indústria, assim como os incansáveis esforços de nossos negociadores, forçaram o lado oposto, conhecido por sua inimizade com o Irã, a retirar e eliminar parte das sanções que nos acossavam", afirmou.

Apesar reconhecer e felicitar o trabalho dos negociadores nucleares e do governo em resolver este assunto, Khamenei lembrou que essa conquista "frente a arrogância e o assédio chegou como resultado da resistência e da fortaleza diante da adversidade" demonstrada pelos iranianos. Desse modo, pediu que a atitude do povo seja vista "como uma lição para outros eventos na República Islâmica".

Mas Khamenei descartou qualquer possibilidade de aproximação entre seu país e o Ocidente e exigiu manter a guarda alta, particularmente com os Estados Unidos, cujos líderes fizeram declarações logo depois da entrada em vigor do acordo nuclear que "abrem motivos para suspeitas". "Sublinho outra vez que neste assunto, como em outros muitos, o engano e a ruptura dos compromissos pelos poderes arrogantes, especialmente os EUA, não devem ser negligenciados", apontou.

Além disso, também afirmou que as autoridades do país não devem confiar muito nos resultados do acordo e no fim das sanções e apontou que para resolver os problemas econômicos do país isso não será suficiente.  "A resolução dos problemas econômicos está ligada a realizar esforços sábios e incansáveis em direção a economia da resistência, e o fim das sanções por si só não será suficiente para melhorar o bem-estar dos cidadãos", avaliou.

Essas foram as primeiras declarações públicas de Khamenei sobre as sanções desde o anúncio, sábado, da efetiva entrada em vigor do acordo nuclear assinado em julho entre o Irã e o P5+1 (EUA, França, Rússia, Grã-Bretanha, China e Alemanha).

O fim das sanções foi saudado pelo presidente Rohani como o início de uma nova era para o relacionamento do Irã com o restante do mundo e como trampolim para um futuro econômico brilhante para o país. / EFE e AFP

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