Salvatore Di Nolfi/EFE
Salvatore Di Nolfi/EFE

Khamenei fala em ‘fim de Israel’ no dia em que Irã e potências retomam diálogo

Líder supremo faz duro discurso contra ‘regime sionista’, enquanto iranianos e as grandes potências voltam a discutir em Genebra um acordo atômico

Andrei Netto, correspondente em Paris,

20 de novembro de 2013 | 23h17

PARIS - No dia em que potências e o Irã retomaram o diálogo para tentar chegar a um acordo nuclear, em Genebra, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, fez um duro discurso defendendo que Israel "está fadado a desaparecer". O encontro a portas fechadas entre os diplomatas, na Suíça, durou cerca de dez minutos, mas ambos os lados indicam nos bastidores que nunca estiveram tão perto de um acerto de princípios.

Khamenei apoiou publicamente o diálogo nuclear e a fala de quarta-feira, 20, feita a 5 mil iranianos e transmitida ao vivo pela televisão, seria uma forma de acalmar setores mais radicais. "Os fundamentos do regime sionista foram abalados e ele está fadado a desaparecer. Nenhum fenômeno imposto pela força pode durar", disse o número 1 da república islâmica, qualificando ainda Israel de "a verdadeira ameaça à paz mundial" e lamentando que europeus "chamem dirigentes (israelenses) de ‘humanos’".

Ao mesmo tempo, a 4,5 mil quilômetros de Teerã, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamed Javad Zarif, afirmou a jornalistas em Genebra que seu país e as grandes potências haviam conseguido "se colocar em acordo para dar início a negociações sérias". Após o breve encontro entre o Irã e todos os membros do P5+1 - grupo de países formado pelos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha -, autoridades realizaram reuniões bilaterais, também a portas fechadas.

O Irã havia solicitado que o primeiro dia da nova rodada de negociações fosse dedicado a esclarecimentos sobre a forma do diálogo, antes de entrar nos debates sobre o conteúdo das propostas. Segundo diplomatas de Teerã, a "confiança foi perdida" após as potências ocidentais - sob pressão da França - recuarem de um acordo, há duas semanas.

Com o rascunho do acordo praticamente finalizado, franceses disseram que não aceitariam um compromisso sem que o Irã se comprometesse a suspender totalmente a construção do reator de plutônio de Arak, considerado um "caminho alternativo" à bomba. Em seu discurso de ontem, o líder supremo afirmou que seu país não negociará o direito de enriquecer urânio - segundo ele, uma "linha vermelha" no diálogo com o Ocidente.

Resposta. Khamenei também acusou a França de ter cedido às pressões diplomáticas dos EUA e de ter "se colocado de joelhos diante do regime israelense", referindo-se à viagem realizada no final de semana pelo presidente da França, François Hollande, a Israel. O presidente francês encontrou-se em Jerusalém com líderes políticos como o presidente Shimon Peres e o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e afirmou ser "amigo de Israel" e garantiu que não permitirá que o Irã obtenha a bomba atômica.

Em resposta a Khamenei, a porta-voz do Palácio do Eliseu, Najat Vallaud-Belkacem, advertiu que as palavras do líder religioso prejudicam as chances de acordo. "As declarações de Khamenei são inaceitáveis e complicam as negociações", disse, reiterando que a França quer que as negociações sejam bem-sucedidas, mas sob condições. "Nós queremos um acordo sério, sólido, que dê todas as garantias", explicou a porta-voz francesa. "A bola hoje está de certa forma no campo do Irã."

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