The New York Times
The New York Times

Khamenei pede reforço na luta contra Israel e qualifica negociação com país como ‘erro irreversível’

Líder iraniano insiste que ‘a resistência é a única forma de liberar a Palestina oprimida’ e reitera o apoio do país à causa como ‘um dever religioso’; nesta quinta-feira, mais dois palestinos morreram, um na fronteira com Gaza e outro em razão de ferimentos sofridos há alguns dias

O Estado de S.Paulo

05 Abril 2018 | 14h21

TEERÃ - O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, pediu "intensificação na luta contra o regime sionista", como denomina Israel, e qualificou qualquer negociação com este país como "erro irreversível" e prejudicial para a causa palestina.

+ Israel cancela acordo com ONU para não deportar imigrantes africanos

+ Palestino não resiste aos ferimentos e eleva o número de mortos no protesto em Gaza para 17

Segundo uma carta de Khamenei dirigida ao líder político do movimento islamista Hamas, Ismail Haniyeh, a única solução é "fortalecer a resistência dentro do mundo muçulmano, intensificando a luta contra o regime sionista usurpador e seus aliados". "As nações (muçulmanas e árabes) têm de considerar seriamente isto como seu dever: repelir o inimigo até o ponto da aniquilação, por meio de uma ação estratégica e forte.”

+ Netanyahu critica líder turco por reação ao confronto entre palestinos e israelenses em Gaza

+ Israel rejeita apelos para investigar mortes em Gaza

Neste sentido, o líder iraniano insistiu que "a resistência é a única forma de liberar a Palestina oprimida" e reiterou o apoio do país à causa como "um dever religioso".

Ele também denunciou qualquer negociação com Israel e fez referência à suposta aproximação entre Riad e Tel Aviv, impulsionada pela estreita relação entre a Arábia Saudita e EUA. "Avançar para negociações com o regime usurpador e mentiroso é um erro irreversível que atrasaria a vitória da nação palestina", afirmou Khamenei.

Essa "conspiração e hipocrisia de alguns países árabes seguindo o Grande Satã (EUA)", como se referiu o líder iraniano às citadas negociações, foi também denunciada por Haniyeh em uma carta prévia, segundo nota oficial.

As autoridades iranianas redobraram suas críticas a Israel desde que, na sexta-feira, os enfrentamentos entre manifestantes palestinos e soldados israelenses na fronteira de Gaza deixaram centenas de feridos e mais de 10 mortos.

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, anunciou que o país levará perante as Nações Unidas e o Movimento de Países Não-Alinhados os recentes "crimes" perpetrados por Israel na fronteira com Gaza.

Violência

Dois palestinos morreram nesta quinta-feira, 5, um na fronteira com Gaza por disparos israelenses e outro em razão de ferimentos sofridos há alguns dias, informaram autoridades de saúde. Com isso, o número de vítimas entre os palestinos subiu para 19 durante uma semana de protestos e violência.

As Forças Armadas de Israel disseram que uma de suas aeronaves visavam um militante armado perto da cerca de segurança ao longo da Faixa de Gaza.

Milhares de palestinos iniciaram protestos na semana passada em acampamentos montados ao longo da fronteira da Faixa de Gaza, um reduto de dois milhões de habitantes governado pelo Hamas. Os manifestantes pressionam por um direito de retorno dos refugiados e seus descendentes ao território que agora faz parte de Israel.

Campanha

A ONG israelense B'Tselem lançou uma campanha que pede aos soldados do país para que não atirem contra palestinos desarmados durante as manifestações previstas para sexta-feira na Faixa de Gaza.

A B'Tselem publicou anúncios na imprensa com o título "Desculpe comandante, não atiro". "Soldado, as ordens para atirar que podem provocar a morte de civis que não representam perigo para vidas humanas são ilegais", afirma a ONG.

A campanha foi criticada pelo ministro da Segurança Interna, Gilad Erdan, que pediu ao procurador-geral que acuse a B'Tselem por "incitação à sedição". "No que diz respeito às ordens, os soldados tratam qualquer atividade que coloque em perigo a segurança de Israel como operações terroristas", advertiu ele. / REUTERS e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.