Khatami recua e diz que governo realizará as eleições

Em uma decisão inesperada, o presidente iraniano, Mohammad Khatami, disse hoje que seu governo realizará no dia 20 as eleições parlamentares, apesar de que elas poderão não ser livres nem justas, já que milhares de candidatos reformistas foram proibidos de concorrer. Numa carta conjunta ao líder supremo do Irã, Khatami e o presidente do Parlamento Mahdi Karroubi advertiram que os eleitores terão pouca motivação para votar. Um órgão de fiscalização eleitoral, o Conselho dos Guardiães, desqualificou mais de 2.400 candidatos pró-reformas, entre eles atuais parlamentares, provocando fortes protestos de deputados reformistas e críticas do presidente Khatami. Várias tentativas de conseguir a derrubada dos vetos fracassaram. A carta marcou um recuo de Khatami, que vinha dizendo que seu governo só realizaria eleições que fossem "competitivas, livres e justas". Khatami tinha pedido ao líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, para que as eleições fossem adiadas a fim de que fossem revistas as desqualificações. Mas Khamenei não aceitou. O maior partido reformista iraniano, a Frente de Participação Islâmica do Irã, promete boicotar as eleições. O partido é liderado pelo irmão mais novo do presidente, Mohammad Reza Khatami. Na carta, Khatami e Karroubi escreveram que o governo só irá realizar as eleições porque recebeu ordens do líder supremo. A carta acusa o Conselho dos Guardiães de colocar em risco a integridade das eleições. "O Conselho dos Guardiães vetou os nomes mais proeminentes da eleição de 20 de fevereiro, minando a necessária competição e diminuindo a motivação do povo para votar", foi dito na carta.

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