Khodorkovski, rival de Putin, recebe nova condenação

Ex-magnata do petróleo que seria libertado em 2011 permanecerá detido durante as eleições presidenciais de 2012

, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2010 | 00h00

O ex-magnata russo Mikhail Khodorkovski foi condenado ontem em seu segundo julgamento por enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro. O caso é visto como um indicador da intolerância do Kremlin com dissidentes políticos.

Fundador da companhia petrolífera Yukos, Khodorkovski - que já foi o homem mais rico da Rússia - entrou em rota de colisão com o ex-presidente e atual premiê russo, Vladimir Putin, por financiar partidos de oposição. Ele está preso há sete anos e, com a nova condenação, pode permanecer detido por mais sete anos. Khodorkovski e seu sócio, Platon Lebedev, são acusados de roubar milhões de toneladas de petróleo e de lavar o dinheiro do roubo entre 1998 e 2003.

Em 2005, Khodorkovskyi foi condenado por fraude e suas companhias foram confiscadas pelo governo. Ele deveria ser libertado em 2011, meses antes das eleições presidenciais de 2012. Com a nova condenação, ele certamente permanecerá detido durante as eleições - como ocorreu na votação de 2007. Os advogados de Khodorkovski consideram as acusações absurdas e politicamente motivadas.

O empresário russo enriqueceu após a queda do comunismo, com a polêmica privatização de ativos estatais abaixo do valor, criando uma das maiores companhias de petróleo do mundo. Quando decidiu se envolver na política, apoiou a oposição liberal e financiou quase todos os partidos, até os comunistas.

Khodorkovski é o prisioneiro mais conhecido do país. O tratamento que tem recebido é usado pelos adversários do Kremlin como uma evidência de que o sistema Judiciário russo é manipulado pelo governo.

Embora o veredicto fosse esperado, Putin ataca Khodorkovski com frequência. Ainda neste mês, o premiê comparou o empresário russo ao fraudador americano Bernard Madoff, dizendo que "lugar de ladrão é na cadeia". A crítica foi descrita pela defesa como uma tentativa escancarada de pressionar o tribunal a uma segunda condenação.

O veredicto foi visto como um indicador da futura direção da Rússia sob o governo de Putin e de seu aliado, do presidente Dmitri Medvedev, em meio a especulações de que Putin planeja candidatar-se à presidência em 2012. Liberais esperavam que o julgamento fosse um sinal para o Ocidente de que a Rússia leva a sério sua proposta de reformas e deixaria claro a independência do Judiciário no governo.

Uma pena de prisão curta pode ser considerada uma vitória para Medvedev, menos linha dura que Putin. Analistas dizem que o caso Khodorkovski é um obstáculo para convencer investidores estrangeiros de que o Judiciário russo é justo.

A Casa Branca manifestou sua preocupação com a nova condenação de Khodorkovski e o aparente "uso abusivo do sistema legal para fins impróprios". / NYT e AP

PARA ENTENDER

Quando foi eleito presidente, em 2000, o atual premiê russo, Vladimir Putin, deixou claro aos magnatas que enriqueceram na década de 90 que poderiam manter seus negócios se não interferissem no Kremlin. Mikhail Khodorkovski passou a ter problemas com a Justiça quando suas atividades enveredaram pela política, com o financiamento de partidos opositores e a compra de um importante jornal russo.

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