Kibaki vence eleição no Quênia em meio a protestos violentos

O presidente queniano, Mwai Kibaki,venceu o pleito para um segundo mandato de cinco anos nestedomingo, em eleições polêmicas que geraram manifestaçõesviolentas de dezenas de milhares de partidários da oposição. Enquanto os protestos continuavam nas favelas de Nairóbi,Kibaki tomou posse no gramado em frente à Casa do Estado,apenas uma hora depois do anúncio do resultado do pleito, comsua mão sobre a Bíblia. A oposição acusa o governo de manipulara votação. Kibaki, de 76 anos, pediu aos quenianos que deixem de ladoas "paixões" da eleição e prometeu um governo livre decorrupção, que crie a unidade no dividido país do leste daÁfrica. O Quênia, de 36 milhões de habitantes, é considerado comouma ilha de relativa estabilidade em uma região agitada. "Agradeço pela confiança que depositaram em mim", disseele. "Peço que todos nós deixemos de lado as paixões que foramalimentadas pelo processo eleitoral e que trabalhemos juntos." Alguns partidários de Kibaki comemoraram nas ruas. Mas a comemoração tinha muito menos participantes do que asmanifestações daqueles que apoiaram o candidato de oposição,Raila Odinga. A televisão local informou que dez pessoas foram mortas emKisii, região do grupo étnico luo, de Odinga. A polícia abriufogo contra a multidão em Kisumu, matando mais três pessoas,disseram moradores e testemunhas. Um repórter da Reuters foiatacado em Kisumu. Odinga acusou o governo de fraude eleitoral --alegações quejá causaram dois dias de disputas étnicas violentas. Em Kibera, a maior favela de Nairóbi, manifestantesqueimaram barracos enquanto gritavam slogans pró-Odinga,segundo testemunhas. "Está muito agitado aqui. Há milhares de pessoas nas ruas",disse o morador de Kibera Joshua Odutu, com o som de tiros,assobios e gritos ao fundo. O chefe da comissão eleitoral do Quênia (ECK, na sigla eminglês), Samuel Kivuitu, declarou Kibaki vencedor em meio àscenas de caos no principal centro de votação. Kivuitu teve deser escoltado pela polícia para poder sair com segurança dolocal. "A DÚVIDA CONTINUA" O observador da União Européia, Alexander Graf Lambsdorff,disse que ainda havia dúvidas quanto à exatidão da contagem dosvotos. "Acreditamos que, no momento, a ECK, apesar do empenho deseu presidente, não conseguiu estabelecer a credibilidade doprocesso eleitoral a fim de satisfazer a todos os partidos ecandidatos", disse ele, em comunicado. "Lamentamos que não tenha sido possível tratar dasirregularidades comprovadas pela UE e pela própria ECK...Continuamos a ter dúvidas quanto à exatidão do resultado daeleição presidencial anunciado hoje (domingo)." Líderes do partido de Odinga fizeram uma reunião a portasfechadas para tratar da crise e não comentaram o resultado. Os atrasos do anúncio do resultado oficial causaramprotestos furiosos e disputas étnicas em todo o Quênia. Os poucos supermercados e comércios de alimentos queabriram estavam lotados de fregueses nervosos pela manhã. Asprateleiras de carnes, leite, cerveja, água e outros alimentosforam rapidamente esvaziadas. Líderes empresariais disseram no fim de semana que asdisputas étnicas custariam mais de 30 milhões de dólares ao diaem impostos perdidos --sem contar as perdas por danos esaques-- e ameaçavam os investimentos no país. Um observador das eleições, que pediu para não seridentificado, disse que havia "muito poucas dúvidas" de quehouve fraude eleitoral. (Reportagem adicional de Guled Mohamed em Kisumu, KatieNguyen, Nicolo Gnecchi, Helen Nyambura-Mwaura, Duncan Miriri,Bryson Hull, Andrew Cawthorne, George Obulutsa e Tim Cocks)

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