Alexander Ermochenko/AP
Alexander Ermochenko/AP

Kiev contra-ataca e rebeldes do leste falam em 4 mortes

Governo garante que ação para retomada de um campo de aviação em Kramatorsk não resultou em mortes

O Estado de S. Paulo,

15 de abril de 2014 | 11h49

(Atualizada às 23h30) SLAVIANSK, UCRÂNIA - Tropas ucranianas lançaram na terça-feira, 15, uma ofensiva para retomar gradualmente o controle de partes do leste do país dominadas por militantes pró-Rússia. Segundo os insurgentes, pelo menos quatro de seus companheiros foram mortos numa operação para recuperar um campo de aviação na cidade de Kramatorsk, região de Donetsk.

A crise agravou-se nos últimos dias à medida que rebeldes passaram a ocupar mais prédios públicos nessa parte do país. A denúncia das mortes coincidiu com o anúncio de Kiev do lançamento de uma "operação antiterrorista" contra os separatistas pró-Moscou. Desde o dia 6, pelo menos dez cidades no sul e leste da Ucrânia tiveram prédios, delegacias e estradas ocupados. As regiões foram tomadas por manifestações pró-federalismo depois que a Península da Crimeia aprovou, em um referendo em março, sua anexação à Rússia.

Vinte e quatro horas depois de expirar um ultimato para os rebeldes entregarem as armas, o presidente interino da Ucrânia, Oleksander Turchinov, garantiu que a operação havia começado na região de Donetsk. Testemunhas disseram, porém, que não havia sinais de que as tropas invadiriam os prédios. O governo confirmou que forças militares entraram em confronto com cerca de 30 homens armados para retomar o pequeno aeroporto de Kramatorsk, nessa região.

As informações sobre as consequências dessa operação, no entanto, eram contraditórias. Um porta-voz da Milícia do Povo disse à agência russa de notícias RIA Novosti que quatro rebeldes foram mortos e dois, feridos - não havia vítimas do lado das tropas oficiais. A imprensa russa estimou que o número de mortos poderia chegar a 11.

O chefe da unidade antiterrorista dos serviços de segurança da Ucrânia, general Vasyl Krutov, falou a jornalistas fora do aeroporto que seus soldados conseguiram frustrar a ação de combatentes em uniformes militares sem insígnia. Ele assegurou que não houve mortes.

O presidente interino relatou a operação no aeroporto ao Parlamento, em Kiev. "Estou convencido de que, em breve, não ficará nenhum terrorista em Donetsk ou em outras regiões. Eles irão para o banco dos réus, que é o lugar deles", declarou Turchinov.

Acusada pelos EUA e Europa de interferência na crise, a Rússia declarou que a Ucrânia está à beira de uma guerra civil. O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou esperar uma condenação dos EUA e da comunidade internacional das "ações anticonstitucionais" de Kiev no leste da Ucrânia.

A ex-primeira-ministra e candidata à presidência da Ucrânia Yulia Tymoshenko disse que os confrontos no leste eram, na verdade, uma "guerra" sob a influência de Moscou. "Temos de dizer a verdade aos ucranianos: a Federação Russa trava uma verdadeira guerra contra a Ucrânia no leste, em particular, nas regiões de Donetsk e Luhansk", disse.

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, fez a mesma acusação. Suas declarações reforçaram as tensões com o governo russo. O porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, classificou as acusações como "absurdas". Segundo ele, Moscou tem advertido fortemente que o uso de forças militares contra militantes pró-Rússia poderia fazer com que o Kremlin desistisse da conferência internacional sobre a crise em Genebra (Suíça). A reunião está marcada para quinta-feira, 17, entre representantes da Ucrânia, dos EUA e da União Europeia, além da Rússia. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, conversou com Putin por telefone e ressaltou que "qualquer aprofundamento da crise seria profundamente prejudicial para todos os envolvidos".

"Não se pode mandar tanques e, ao mesmo tempo, manter conversações. O uso de força poderá sabotar a oportunidade oferecida pelas negociações das quatro partes em Genebra", declarou o chanceler russo, Serguei Lavrov, em um comunicado.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou nesta terça que os EUA estão dando suporte tático às ações militares ucranianas contra separatistas russos. A atitude, segundo Carney, não é a opção preferida de Washington, mas o governo ucraniano, disse, tem de responder a essa "situação insustentável". / REUTERS, AP e NYT

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