Kiev fecha cerco a áreas separatistas no leste

Governo ucraniano pediu para civis deixarem as cidades de Donetsk e Luhansk antes de ação militar; Cruz Vermelha planeja envio de ajuda

KIEV, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2014 | 02h02

Enquanto a Cruz Vermelha preparava ontem um plano para levar suprimentos para as áreas controladas por separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia, o governo de Kiev anunciava que estava perto de cercar toda a região e pedia que os civis deixassem as cidades de Donetsk e Luhansk antes que as suas tropas entrassem em ação.

De acordo com uma nota publicada no site do presidente ucraniano, Petro Poroshenko, o presidente americano, Barack Obama, apoiou o plano de uma missão humanitária no leste do país em conversa por telefone com ele.

Também ontem, apesar de avisos dos Estados Unidos, de outros governos ocidentais e da Otan de que uma missão humanitária não pode servir de pretexto para nenhum tipo de intervenção militar, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que enviaria comboios de ajuda para o leste da Ucrânia.

"A situação em Luhansk e em outras áreas é crítica. Milhares de pessoas estariam sem água, eletricidade e atenção médica", afirmou o chefe do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para a Europa, Laurent Corbaz. "No entanto, os detalhes práticos dessa operação ainda precisam ser esclarecidos antes de podermos avançar no território ucraniano."

O confronto em Luhansk, atualmente concentrado nas áreas residenciais, deixou a cidade em situação caótica e cerca de 500 mil pessoas estão completamente isoladas - e sem conexão telefônica, comida e combustível -, de acordo com informações publicadas no site da Câmara de Vereadores.

"Eu espero que nossos parceiros ocidentais pensem sobre as pessoas que precisam desesperadamente de eletricidade e água, além de suprimentos médicos para que crianças possam passar por procedimentos de emergência e não travem todo o processo", afirmou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov.

Baixas. Ao menos 568 militares do governo da Ucrânia morreram desde o início dos confrontos com os separatistas pró-Rússia, em maio, disse ontem um porta-voz das Forças Armadas.  O número é maior do que o estimado anteriormente. 

De acordo com Andrei Lysenkom, outros 2.120 soldados ficaram feridos. As agências da ONU dizem que mais de 1,1 mil pessoas já morreram no leste da Ucrânia, incluindo militares, rebeldes e civis.  / NYT, REUTERS e EFE

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