Kim Dae-jung deixa o poder e pede diálogo entre Norte e EUA

O presidente sul-coreano, Kim Dae-jung, disse nesta segunda-feira, ao concluir seu período presidencial, que o diálogo direto entre os EUA e a Coréia do Norte é a única maneira de pôr fim à crise em torno do programa de armas nucleares de Pyongyang. Em seu discurso de despedida pela televisão, horas antes da chegada a Seul do secretário de Estado americano, Colin Powell - que assistirá na terça-feira à posse do novo presidente, Roh Moo-hyun -, Kim Dae-jung qualificou a presença militar americana na Coréia do Sul como um fator "estabilizador", que deveria permanecer mesmo se o Norte e o Sul se reunissem algum dia. A posição de Kim sobre a melhor forma de solucionar a crise difere da de Washington, que deseja uma solução multilateral. "Devemos opor-nos resolutamente ao desenvolvimento nuclear da Coréia do Norte", disse Kim. "O desenvovimento nuclear deve ser abandonado, mas a solução deve ser pacífica, através do diálogo". Desatcou que "a chave para uma solução é um diálogo entre a Coréia do Norte e os EUA". Pyongyang pediu diálogo direto com Washington, mas os funcionários americanos dizem que não haverá conversações até que a Coréia do Norte abandone seu programa de armas nucleares de modo verificável.Segundo Kim, a presença militar americana na Península Coreana não deveria terminar, mesmo em caso de uma reconciliação final entre as duas Coréias. Os EUA têm 37.000 soldados na Coréia do Sul. A política de Kim em relação a seu vizinho do Norte foi recentemente criticada devido às crescentes tensões provocadas pelo programa nuclear de Pyongyang. À tarde, o secretário de Estado americano chegou à capital sul-coreana para assistir, amanhã, à posse do presidente eleito Roh Moo-hyun, como parte de sua viagem pela Ásia, onde tratou da crise com a Coréia do Norte e dos planos de seu país para forçar o desarmamento do Iraque.Após a cerimônia de posse de Kim, espera-se que Powell conceda na terça-feira à tarde uma entrevista à imprensa. Roh Moo-hyun prometeu que prosseguirá com a política de reconciliação com a Coréia do Norte e tem se manifestado publicamente contrário ao uso da força para resolver a questão nuclear.

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