Korea Summit Press Poll/ AP
Korea Summit Press Poll/ AP

Kim e Moon se comprometem a assinar acordo de paz para acabar com guerra

Os dois líderes também discutiram a possível desnuclearização de de Pyongyang e planejam uma declaração conjunta sobre o tema

O Estado de S.Paulo

27 Abril 2018 | 03h30

SEUL – Os líderes da Coreia do Sul e da Coreia do Norte, Kim Jong-un e Moon Jae-in se comprometeram a assinar, ainda este ano, um acordo de paz para acabar, formalmente, com a Guerra da Coreia, 65 anos após o armistício. A declaração foi emitida na manhã desta sexta-feira, 27, durante o encontro entre os dois líderes.

"O Norte e o Sul irão cooperar ativamente para estabelecer um sistema de paz permanente e estável na península coreana", diz a declaração conjunta assinada pelos dois líderes, ao término do histórico encontro.

As duas Coreias "declaram o final dos 65 anos que se passaram desde o armistício" e apostam por substituí-lo por "um tratado de paz", diz o texto. Uma alusão à situação de enfrentamento técnico que permanece entre a Coreia do Sul, a do Norte e os Estados Unidos desde o conflito que assolou a península e teve fim em 27 de julho de 1953, com a assinatura do armistício pelo Exército Nortecoreano, China e os Estados Unidos, na representação das Organização das Nações Unidas (ONU), e que nunca foi substituído por um acordo de paz definitivo. 

"Não haverá mais guerra na península. Com essa declaração abrimos uma nova era", declarou o presidente sul coreano em um discurso junto a Kim Jong-un ao término do encontro. "Trabalharemos juntos para alcançar a paz permanente", afirmou Kim. Ele também destacou que "o mundo nos observa" e afirmou que o acordado hoje permitirá "evitar que se repitam os erros do passado", além de destacar que o Norte e o Sul "são um mesmo povo", "não devem voltar a se enfrentar" e vão "avançar juntos até a unificação". 

Kim e Moon também discutiram a possível desnuclearização de Pyongyang, informou um porta-voz do governo sul-coreano. 

“[Kim e Moon] falaram sobre a desnuclearização. o estabelecimento de paz na península coreana, e a melhora das relações entre os países”, declarou o porta-voz sul-coreano, Yoon Young-chan. “Ambas as partes estão trabalhando para resolver suas diferencias e redigir uma declaração conjunta sobre o assunto.”

A primeira reunião da cúpula durou aproximadamente 1h30. Kim e Moon estiveram reunidos na Peace House, um edifício localizado no lado sul da zona de segurança conjunta. Após o primeiro encontro, os líderes e suas delegações se dirigiram para lugares diferentes.

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O líder supremo e sua comitiva se deslocaram para o pavilhão Panmungak, localizada em frente à demarcação militar e no território norte-coreano, enquanto a delegação sul-coreana, liderada por Moon, permaneceu na Peace House.

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Dissidentes e linhas de trem

A possibilidade de reconexão das linhas ferroviárias entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte também foi discutida na primeira rodada de conversas entre os líderes dos dois países na manhã desta sexta-feira, 27. A proposta foi apontada pelo presidente sul-coreano, Moon Jae-in, durante proposta de uma possível ao país vizinho.

Segundo um porta-voz de Moon, o líder norte-coreano Kim Jong-un admitiu que o sistema de transporte do país é “deficiente”, o que tornaria “desconfortável” uma eventual viagem de uma delegação sul-coreana ao país.

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Em resposta, Moon disse que os norte-coreanos poderiam se beneficiar dos trens de alta velocidade da Coreia do Sul e que poderia ser discutida uma eventual ligação da malha ferroviária dos países caso as relações entre as duas nações melhorem.

Kim também falou sobre os dissidentes que deixaram o país nos últimos anos. Segundo o porta-voz sul-coreano, o ditador disse que o encontro entre os dois países é uma “oportunidade para curar as cicatrizes entre o Norte e o Sul”. Mais de 30 mil cidadãos norte-coreanos fugiram do regime nos últimos anos, incluindo um diplomata norte-coreano.

O ditador afirmou também, diz o porta-voz sul-coreano, que o muro da fronteira entre os dois países “não é tão alto” e “eventualmente será destruído se muitas pessoas passarem por ele”. //EFE, ASSOCIATED PRESS

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