Pyongyang Press Corps / AFP
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Kim firma novo acordo de desnuclearização e se compromete a fechar local de testes de mísseis

Durante a terceira cúpula intercoreana, líder da Coreia do Norte diz que poderá viajar a Seul 'em um futuro próximo'

O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2018 | 02h17
Atualizado 19 Setembro 2018 | 06h44

SEUL - O líder Coreia do NorteKim Jong-un se comprometeu nesta quarta-feira, 19, a desmantelar suas principais instalações militares e disse que poderá viajar a Seul "em um futuro próximo. "O Norte aceitou fechar, de forma permanente, o local de testes de mísseis de Tongchang-ri e a base de lançamento de mísseis, na presença de especialistas dos países afetados", declarou o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, em Pyongyang, após a terceira cúpula intercoreana realizada neste ano.

Em uma entrevista coletiva após o encontro, Moon afirmou que Kim concordou também em desmantelar o centro nuclear de Yongbyon, o principal da Coreia do Norte, desde que Washington adote as "medidas correspondentes", sem detalhar quais. A Casa Branca ainda se pronunciou sobre o assunto. Pyongyang é alvo de múltiplas sanções do Conselho de Segurança da ONU em razão de seus programas nuclear e balístico, e já realizou diversos lançamentos de mísseis a partir de Tongchang-ri.

Os líderes afirmaram que essas medidas transformarão a Península Coreana em "uma terra de paz, sem armas ou ameaças nucleares". O progresso do atual processo de desmantelamento das instalações norte-coreanas não foi detalhado no encontro.

Kim declarou ainda que poderá viajar a Seul em breve, no que seria a primeira visita de um líder norte-coreano à capital da Coreia do Sul desde a divisão da península. "Prometi ao presidente Moon Jae-in que visitarei Seul em um futuro próximo", disse ele. O presidente sul-coreano reafirmou que a viagem pode ser feita ainda neste ano e "sempre e quando não lhe impliquem circunstâncias particulares".

Terceiro encontro

Na terça-feira, o Departamento de Estado americano havia manifestado a esperança de que a cúpula permitisse "um passo significativo e verificável em direção à desnuclearização da Coreia do Norte".

Ao destacar que se trata do terceiro encontro entre Moon Jae-in e Kim Jong-un, a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, ressaltou "a oportunidade histórica" para o dirigente norte-coreano de "cumprir o compromisso" assumido na cúpula com o presidente americano, Donald Trump, em Cingapura.

Na reunião histórica no dia 12 de junho, Kim reiterou ao líder americano seu compromisso de avançar até a "desnuclearização completa da Península Coreana".

Apesar das promessas, Pyongyang não demonstrava real comprometimento com o assunto, o que despertou críticas de Washington. O governo Trump cancelou a viagem de seu secretário de Estado, Mike Pompeo, a Pyongyang como sinal de seu descontentamento com o pouco avanço no acordo firmado em Cingapura.

Moon embarcou para a Coreia do Norte com o objetivo de elaborar uma proposta que reforçasse o comprometimento do Norte com a desnuclearização da península e uma declaração formal para acabar com a Guerra das Coreias (1950-1953). Apesar dos avanços, Pyongyang ainda não deu indicações de que está pronta para desistir de seu arsenal.

Reveja: Kim e ‘o começo de uma 'nova história'

​Principais promessas

Confira abaixo os principais pontos firmados no novo acordo conjunto entre as Coreias do Norte e do Sul na cúpula desta semana:

- Comprometimento pela desnuclearização da Península Coreana, com o fechamento da instalação de fabricação de mísseis em Sohae, do centro de lançamento de Tongchang-ri e do complexo nuclear de Yongbyon.

- Busca para sediar, conjuntamente, os Jogos Olímpicos de 2032.

- Estabelecimento de "zonas neutras" nas fronteiras terrestre e marítima dos países para evitar o risco de quedas acidentais de aeronaves.

- Retirada de 11 postos militares na Zona Desmilitarizada até dezembro deste ano.

- Realização de uma busca conjunta pelos corpos de soldados mortos na fronteira durante a Guerra das Coreias.

- Desarmamento de um vilarejo controlado pelos dois países na fronteira, começando pela remoção de minas terrestres. / AFP, REUTERS, AFP, AP e EFE

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