Kim Il-sung termina de consolidar poder sobre o regime

Análise: Choe Sang-Hun / NYT

O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2012 | 03h01

Pouco antes do lançamento fracassado de seu novo foguete, a Coreia do Norte havia formalmente finalizado sua apressada sucessão. O Partido dos Trabalhadores de Pyongyang realizou na quarta-feira sua primeira grande conferência em um ano e meio. Nela, o herdeiro do trono, Kim Jong-un, de 29 anos, foi coroado "líder supremo" da organização. Ontem, Kim foi confirmado como comandante do aparato militar norte-coreano e chefe do politburo do país. Assim, o novo líder passou a controlar o partido, os militares e a liderança de Estado.

A rapidez de sua ascensão, afirmam analistas, é reflexo da insegurança do regime em relação à pouca idade do novo ditador e da necessidade de constituir um sólido poder em pouco tempo. A conferência do Partido dos Trabalhadores dá a Kim - ou ao alto escalão que o cerca - uma oportunidade para mexer no partido e na liderança militar. Dessa forma, o novo comandante norte-coreano pode gradualmente aposentar os chefões da época em que seu pai era o supremo líder e elevar jovens leais ao novo poder.

Essa mudança de gerações começou a se desenrolar na penúltima conferência do partido, em setembro de 2010, quando Kim foi oficialmente designado sucessor de seu pai. Na última edição do encontro, na quarta-feira, o processo continuou: um grupo de oficiais foi promovido. Kim Kyong Hee, tia do novo líder supremo, assumiu o secretariado do partido e seu marido, Jang Song Thaek, entrou no politburo. O casal é considerado "mentor" de Kim Jong-un.

O vice-marechal Kim Jong Gak, figura-chave no jogo político norte-coreano e considerado por muitos como o promotor da ascensão de Kim entre a elite militar, também entrou no Politburo. Um dia antes, a imprensa oficial norte-coreana noticiou que ele havia sido nomeado ministro da Defesa.

No entanto, formalmente o posto máximo do partido não foi para o novo líder. Na quarta-feira, a cúpula norte-coreana nomeou Kim Jong-il "eterno secretário-geral". Em uma situação similar, o avô do atual ditador foi nomeado "eterno presidente" pouco após morrer. "Kim Jong-un quis mostrar respeito por seu pai. Por isso criou um novo cargo máximo para ele", explica Koh Yu-hwan, especialista da universidade Dongguk, de Seul.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.