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KCNA via AP
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Kim Jong-un projeta a retomada de testes com armamento nuclear

Líder norte-coreano fala em uma ‘nova arma estratégica’, ao mesmo tempo em que abre brecha para novas negociações com os EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2020 | 21h20

SEUL - O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, disse ontem que o país planeja retomar seu programa nuclear caso os Estados Unidos mantenham as sanções econômicas contra o país. Em uma longa declaração política, Kim prometeu expandir a força atômica de seu país com novos testes, falando vagamente de uma “nova arma estratégica”. O ditador disse ainda que irá realizar “uma ação chocante” em um futuro próximo, sem deixar claro qual seria essa medida. 

Ao mesmo tempo em que fez ameaças, o líder norte-coreano moderou seu discurso. Kim afirmou que seus esforços para expandir a capacidade militar do país podem ser ajustados “dependendo da atitude futura dos EUA”. 

Kim presidiu uma reunião que durou quatro dias com as principais autoridades do Partido dos Trabalhadores da Coreia, em meio a crescentes tensões com os EUA. Segundo ele, os americanos não responderam aos repetidos pedidos dele para que houvesse uma reabertura das negociações pelo fim dos embargos.

Tudo indica, segundo analistas, tratar-se de uma abordagem que abre espaço para mais negociações. Os especialistas afirmam que as declarações de Kim embutem um cálculo sobre o atual contexto de incerteza na política nos Estados Unidos – com um processo de impeachment de Trump que será avaliado pelo Senado e a sua tentativa de reeleger na eleição deste ano. 

Eleição americana

O líder norte-coreano, disseram esses especialistas, não quer se apressar em fazer um acordo que poderia ser anulado caso Trump não permaneça no cargo.

“Acho que veremos Kim continuando a encontrar maneiras de provocar Washington, como forma de obter alguma vantagem em futuras negociações nucleares. Isso tudo sem desafiar diretamente o presidente Trump”, disse Jean Lee, especialista da Coreia do Norte no Centro Internacional Woodrow Wilson para Acadêmicos, em Washington. 

Enquanto observa Trump enrolado com problemas internos, Kim deve continuar a desempenhar seu papel de “durão”, aumentando seu cacife com mais armas nucleares. É sabido que a Coreia do Norte pode expandir seu arsenal, produzir mais combustível para bombas, construir mais ogivas e melhorar suas capacidades de mísseis. 

Entretanto, ainda não há como saber quando Kim pretende mandar uma nova mensagem a Trump na forma de testes de uma outra arma nuclear ou de um míssil balístico intercontinental. Mais um teste poderia precipitar uma resposta de “fogo e fúria” de Trump. Em 2017, quando Kim realizou esses testes pela última vez, Trump ameaçou “destruir totalmente a Coreia do Norte”, colocando o mundo em alerta com uma possível guerra. 

As tensões diminuíram depois de a Coreia do Norte declarar uma suspensão desses testes em abril de 2018. Em junho daquele ano, Trump se encontrou com Kim em Cingapura e disse que os dois “se apaixonaram”.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, se disse ontem “profundamente preocupado” com o plano de retomada de testes nucleares e balísticos norte-coreanos.

Economia 

Kim sabe que a retomada de testes pode trazer mais problemas ao país, pois o lançamento de um míssil de longo alcance desencadearia uma nova rodada de bloqueios das Nações Unidas. Há ainda outro fator importante: novos testes podem provocar a China e a Rússia no momento em que Kim precisa muito da ajuda dos dois vizinhos para atenuar os reflexos dos embargos internacionais. 

Em seu relatório econômico desta semana, o ditador reconheceu que seu país enfrentava “graves problemas”. Ele também relatou “estagnação” em setores-chave da economia norte-coreana e criticou seus subalternos por “meramente gritar o slogan da autossuficiência”, enquanto falta liderança e “responsabilidade” para melhorar a economia local.

A agência de notícias estatal atenuou as críticas de Kim em sua versão em inglês do relatório, indicando que o documento era principalmente para consumo doméstico. Kim também afirmou que estava se preparando para um impasse “prolongado” com Washington.  / NYT e REUTER

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