REUTERS/Jonathan Ernst
REUTERS/Jonathan Ernst

Kim Jong-un chega ao Vietnã para participar de cúpula com Trump

Segundo analistas, líder norte-coreano e presidente americano vão negociar fim da Guerra da Coreia, conflito que terminou em 1953 sem um tratado oficial de paz; EUA mantêm 28,5 mil soldados na Península Coreana

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2019 | 23h49

SEUL - O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un , chegou nesta segunda-feira, 25, a Hanói, no Vietnã, para a segunda cúpula com o presidente dos Estados UnidosDonald Trump. Kim levou dois dias e meio para percorrer os quase 4 mil quilômetros de trem da capital norte-coreana, Pyongyang, ao Vietnã através da China.O trem de Kim fez uma parada na estação de fronteira vietnamita de Dong Dang, onde ele desembarcou para viajar 170 quilômetros de carro até Hanói

Autoridades sul-coreanas informaram nesta segunda-feira, 25, que o presidente Donald Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, negociam o fim da guerra da Coreia, que se desenrolou de 1950 a 1953, na cúpula que começa nesta terça-feira.

A possibilidade está aberta”, disse Kim Eui-kyeom, porta-voz do presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, referindo-se ao resultado esperado da reunião entre Trump e Kim. “Não sabemos exatamente qual será o formato do comunicado, mas há uma possibilidade de Coreia do Norte e Estados Unidos concordarem com essa declaração.”

Moon tem defendido o fim oficial da guerra para criar um clima de confiança entre Coreia do Norte e Estados Unidos, que possa levar à desnuclearização do país. Os dois países continuam tecnicamente em conflito desde que a Guerra da Coreia foi suspensa por meio de uma trégua, em 1953, e Washington ainda mantém 28,5 mil soldados na Coreia do Sul para impedir que o conflito seja retomado.

Até agora, autoridades sul-coreanas se mostravam céticas quanto aos dois líderes concordarem com a paz em Hanói. No entanto, as observações do porta-voz da Coreia do Sul indicam que a possibilidade vem sendo debatida seriamente.

Como Kim viajará para Hanói de trem, negociadores norte-coreanos e americanos já estão em Hanói negociando. A Coreia do Norte propôs desmantelar seu complexo nuclear de Yongbyon, mas declarou que só fará isto quando os Estados Unidos adotarem medidas “correspondentes”. 

Quando os dois líderes se encontraram pela primeira vez, em junho, em Cingapura, Trump e Kim firmaram um acordo vago para o estabelecimento de “novas” relações entre os dois países. Depois, as negociações não avançaram por falta de acordo sobre quem daria o primeiro passo. 

Agora, Washington aceita afrouxar algumas restrições – embora prefira não levantar totalmente todas as sanções. “As sanções econômicas básicas continuarão em vigor” afirmou o secretário de Estado, Mike Pompeo. Por isso, os Estados Unidos analisam outros incentivos para a Coreia do Norte. Um deles seria o fim oficial da guerra. 

Analistas temem que uma declaração encerrando a guerra possa dar a Kim razão para exigir que os Estados Unidos retirem seus soldados da região. A Coreia do Norte afirma ter sido forçada a desenvolver uma força de dissuasão nuclear em razão da “hostilidade” americana. 

Novidades. Para a Coreia do Sul, uma declaração oficial que acabe com a guerra serviria como ponto de partida para negociações mais complexas para se obter um tratado de paz formal. Na segunda-feira, Moon pediu para a população sul-coreana se preparar para uma possível mudança fundamental na Península Coreana após a cúpula. “Se essa reunião produzir resultados, será o início de fato de um novo regime de paz e harmonia”, disse.

Nobel da Paz 

No ano passado, os americanos afirmaram que seria necessário ter um plano claro de desnuclearização capaz de ser fiscalizado. As negociações entre diplomatas dos dois países se intensificaram recentemente em Hanói, antes de cúpula. A equipe de Trump tenta obter um acordo que possa ser assinado pelos dois líderes.

A primeira reunião entre Trump e Kim foi propagandeada, por cada um dos lados, como uma demonstração de força. Mais de uma vez, Trump disse que, se não fosse por ele, o mundo estaria vivendo uma guerra. “Se eu não fosse eleito, estaríamos em guerra”, repete Trump ao falar sobre o assunto, desde o encontro do ano passado. O americano também gosta de dizer que as negociações com a Coreia do Norte fizeram com que o premiê do Japão, Shinzo Abe, o indicasse para o prêmio Nobel da Paz.

Em uma tentativa de seduzir Kim, a Casa Branca deixou claro que, se a Coreia do Norte seguir o comprometimento de completar a desnuclearização, os EUA garantirão “opções de desenvolvimento econômico”. A dificuldade, segundo especialistas, é que Trump e Kim estabeleçam o que significa uma desnuclearização de maneira concreta.

“Em uma declaração de paz será preciso deixar claros os termos. É perigoso deixar aberto para interpretações. Gostaria de ver algo muito concreto e sincero, sem espaço para interpretação”, afirma Sue. Segundo ela, quando os países concordaram em trabalhar pela desnuclearização, no encontro de junho, em Cingapura, não ficou estabelecido o que isso significa em termos práticos para Kim Jong-un./ NYT, AP e REUTERS

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.