KCNA via AP
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Kim Jong-un declara que 'medidas positivas e ofensivas' devem ser adotadas pela Coreia do Norte

País quer ações que garantam a 'total soberania do país'; Estados Unidos prometeram reagir à altura de uma 'potência econômica e militar'

Redação, O Estado de S. Paulo

30 de dezembro de 2019 | 01h32

O líder norte-coreano Kim Jong-un declarou, em importante reunião do partido, que "medidas positivas e ofensivas" devem ser adotadas pelo país, para "garantir a segurança" antes do prazo que ele estabeleceu para as negociações de desnuclearização com os Estados Unidos, informou a mídia estatal KCNA nesta segunda-feira, 30.

No encontro, em que estavam presentes as principais autoridades do Partido dos Trabalhadores, foram discutidas questões políticas essenciais. Entre elas, a crescente tensão em torno do prazo que o país deu para Washington abrandar sua posição sobre os programas nucleares e de mísseis de Pyongyang. Atualmente, as negociações encontram-se paralisadas.

Durante uma sessão no último domingo, 29, Kim sugeriu ações nas áreas de relações exteriores, indústria de munições e forças armadas, enfatizando a necessidade de tomar "medidas positivas e ofensivas para garantir a total soberania e a segurança do país", afirmou a KCNA, sem dar mais detalhes.

A reunião foi a maior sessão plenária do 7º Comitê Central do partido desde seu primeiro encontro em 2013 com Kim, segundo informou o Ministério da Unificação de Seul que lida com assuntos inter-coreanos. O principal órgão de formulação de políticas atraiu cerca de 300 participantes. O comitê também se reuniu em 2018 e em abril, mas em uma escala muito menor.

Nesta segunda, por volta do meio-dia do horário local, a KCNA informou que a reunião ainda estava em andamento. Esta foi a primeira vez que o encontro durou mais de um dia desde que Kim assumiu o poder no final de 2011, disse Lee Sang-min, porta-voz do ministério da Unificação, em um comunicado diário.

"Por 'medidas positivas e ofensivas', pode-se entender ações altamente provocativas contra os Estados Unidos e também contra a Coreia do Sul", disse Yang Moo-jin, professor da Universidade da Coreia do Norte em Seul. O país forçou Washington a oferecer uma nova abordagem para retomar as negociações, alertando que pode adotar um "novo caminho" não especificado se os Estados Unidos não atenderem às suas expectativas.

Os comandantes militares dos Estados Unidos disseram que a medida pode incluir o teste de um míssil de longo alcance, algo que a Coreia do Norte suspendeu desde 2017, além de testes de ogivas nucleares. Washington ficaria "extraordinariamente desapontado" se eles tomassem uma atitude como esta, disse o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca Robert O'Brien no domingo.

O'Brien ainda prometeu reagir à altura de uma 'potência militar e econômica'. "Os Estados Unidos abriram canais de comunicação com a Coreia do Norte e era esperado que Kim seguisse os compromissos de desnuclearização que ele fez em cúpulas com o presidente dos EUA, Donald Trump", completou.

Economia independente

A economia da Coreia do Norte foi outro item importante na agenda da sessão do segundo dia, disse Yang, já que o país tem sido alvo de duras sanções internacionais devido aos seus programas de armamento. A KCNA disse que na ocasião, Kim discutiu questões financeiras e de gestão do estado de acordo com sua campanha, para construir uma "economia independente".

Kim "apresentou as tarefas para corrigir urgentemente a grave situação dos principais setores industriais da economia nacional", afirmou a KCNA. Em Nova York, os membros do Conselho de Segurança da ONU devem realizar uma reunião informal na segunda-feira, para "contemplar uma proposta russa e chinesa para aliviar as sanções contra a Coreia do Norte".

A Rússia e a China propuseram um projeto de resolução no Conselho de Segurança da ONU no início deste mês, que suaviza algumas das sanções impostas, em uma tentativa de iniciar as negociações de desnuclearização. A medida é vista como uma estratégia para criar uma brecha em uma campanha global liderada pelos Estados Unidos, para pressionar a Coreia do Norte a desistir de seus programas de armamento, em meio a um progresso sem brilho nas negociações.

Nos últimos anos, sanções contra indústrias que faturavam centenas de milhões de dólares por ano na Coreia do Norte foram impostas entre 2016 e 2017, com o intuito de cortar o financiamento dado aos programas nucleares e de mísseis de Pyongyang./ REUTERS

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