AP Photo/Ahn Young-joon
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Kim Jong-un e Donald Trump marcam reunião para maio

Segundo conselheiro de Segurança Nacional da Coreia do Sul, o regime norte-coreano está comprometido com a desnuclearização e disposto a suspender os testes nucleares e de mísseis

O Estado de S.Paulo

08 Março 2018 | 21h20
Atualizado 09 Março 2018 | 16h53

WASHINGTON - O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, convidou Donald Trump para uma reunião e o presidente americano aceitou, anunciou na noite desta quinta-feira, 8, o conselheiro de Segurança Nacional da Coreia do Sul, Chung Eui-Yong. O representante leu uma carta em frente à Casa Branca. O encontro – o primeiro entre um presidente norte-americano e um líder norte-coreano desde 1950 – ocorrerá em maio, segundo o conselheiro.

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Após o anúncio, o governo americano confirmou o encontro. “O presidente Trump aceitará o convite para se encontrar com Kim Jogn-un em lugar e momento a serem determinados”, disse a Casa Branca, em comunicado. “Estamos ansiosos pela desnuclearização da Coreia do Norte. Enquanto isso, as sanções devem continuar.”

Em seu perfil no Twitter, Trump se pronunciou sobre o encontro, que já está sendo planejado.

"Kim Jong-Un conversou com líderes da Coreia do Sul sobre a desnuclearização de fato, e não apenas uma suspensão do programa [nuclear]. Também não haverá testes neste período. Um ótimo progresso está sendo feito, mas as sanções continuarão até que um acordo seja concluído.  O encontro está sendo planejado!"

Ao fazer o anúncio na Casa Branca, Chung já havia adiantado que o regime norte-coreano está comprometido com a desnuclearização e disposto a suspender os testes nucelares e de mísseis. De acordo com o funcionário sul-coreano, Kim Jong-un disse entender que os exercícios militares que EUA e Coreia do Sul realizam rotineiramente precisam continuar.

O presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, afirmou que o encontro colocará a desnuclearização do país vizinho "no caminho certo". Ele garantiu que quando chegado o momento do encontro Trump será bem recebido não apenas pelos representantes das Coreias como também por todas as pessoas de paz no mundo todo. 

Um ano após a Coreia do Norte testar um míssil balístico intercontinental capaz de atingir os EUA e uma bomba que, segundo especialistas, seria de hidrogênio, uma moratória é bem-vinda pelos americanos e pelo mundo. Um encontro entre Kim e Trump, cujos insultos no ano passado provocaram o temor de uma guerra, marcará uma dramática reviravolta nos esforços para resolver o tenso impasse com relação à Coreia do Norte. 

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Delegações de alto nível da Coreia do Sul e da Coreia do Norte mantiveram um histórico encontro, em 24 de fevereiro, em Pyongyang, e preparam uma reunião para o fim de abril no vilarejo de Panmunjom, na chamada Zona Desmilitarizada, entre o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e Kim Jong-un.

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Após a visita a Pyongyang, Chung, que liderou a delegação sul-coreana, disse que a Coreia do Norte deixou claro que não precisaria manter armas nucleares se as ameaças militares contra o país cessassem e recebesse uma garantia de segurança.

No dia seguinte à reunião, Trump saudou a iniciativa e disse que os EUA estavam dispostos a conversar com o regime da Coreia do Norte, mas apenas “sob as condições adequadas”, que ele não especificou. 

Mas em um sinal de falta de sincronia dentro do governo americano, o secretário de Estado, Rex Tillerson, havia declarado horas antes do anúncio do encontro que uma possível conversação com o regime de Pyongyang estava longe, pois “os EUA precisavam determinar primeiro a seriedade da Coreia do Norte sobre sua intenção de abrir mão de seu programa nuclear”.

O presidente da Coreia do Sul fez o possível para usar os Jogos Olímpicos de Inverno, que ocorreram no mês passado na cidade sul-coreana de Pyeongchang, como forma de reduzir a tensão entre as duas Coreias e obter uma aproximação. 

A convite da Coreia do Sul, o regime de Pyongyang enviou atletas em uma tentativa de mostrar uma face mais simpática e as equipes dos dois países desfilaram juntas na cerimônia de abertura. O líder norte-coreano também enviou sua irmã, Kim Yo-jong, para o evento. Durante os Jogos, ela convidou uma delegação sul-coreana para visitar Pyongyang.

O ministro de Defesa japonês, Itsumori Onodera, declarou na manhã desta sexta, 9, que a Coreia do Norte deve se comprometer em abandonar completamente o desenvolvimento de tecnologia nuclear, para que negociações significativas ocorram com Pyongyang. Em setembro do ano passado, o regime de Kim ameaçou usar armas nucleares para "afundar" o Japão. 

O ex-primeiro ministro da Australia, Paul Keating, parabenlizou a política externa de Trum. "Espero que mantenha a boa mão para a política (externa) correta", disse em uma reunião com empresários em Sidney. Na opinião de Keating, o republicano tem tomado medidas mais acertadas do que seriam as da ex-candidata Hillary Clinton. 

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Segundo analistas, quem também sairia ganhando com a diminuição das tensões na região é a China. Nas últimas semanas, Pequim vinha pedindo aos dois governos que negociassem de maneira direita o mais rápido possível.

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Enquanto as autoridades dos EUA esperavam que sua campanha de “pressão máxima” de sanções contra a Coréia do Norte produzisse resultados, os sinais de Pyongyang chegaram mais cedo do que muitos esperavam. “No momento, é o caso do cachorro que pegou o carro andando. E agora, o que ele vai fazer com isso?”, disse ao Washington Post Bruce Klingner, um ex especialista em inteligência dos EUA na Coréia, pesquisador sênior da Heritage Foundation. “Eu não acho que eles planejaram chegar tão longe"./ AFP, REUTERS e EFE

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