KCNA/Handout via REUTERS/File Photo
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Perfil: Kim Jong-un, um líder jovem e com poder absoluto na Coreia do Norte

Líder norte-coreano assumiu o poder com pouco mais de vinte anos; era visto por analistas como vulnerável, mas logo mostrou seu caráter ao silenciar vozes discordantes

O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2017 | 15h32
Atualizado 03 Setembro 2017 | 18h59

PYONGYANG - Kim Jong-un é um dos chefes de Estado mais jovens do mundo e exerce um poder absoluto desde que assumiu a dinastia norte-coreana. O teste deste domingo, 3, marca uma nova etapa na campanha que o líder norte-coreano lidera sem descanso para fazer de seu país uma potência nuclear, crível e temível.

Filho mais novo do dirigente norte-coreano Kim Jong-il, o atual líder foi designado para comandar o país após a morte do pai, em 19 de dezembro de 2011. Na época, tinha pouco mais de vinte anos. Os especialistas o viam como alguém vulnerável, sem experiência e passível de ser manipulado por veteranos. Mas rapidamente Kim Jong-un mostrou seu caráter ao silenciar as vozes discordantes, até mesmo na cúpula do poder, adotando atitudes agressivas e provocadoras em relação a comunidade internacional. 

Em dezembro de 2012, o poderoso tio de Kim Jong-un, Jang Song-Thaek, foi executado por traição e corrupção. Depois, várias autoridades do alto escalão foram destituídas. 

O atual líder também se mostrou disposto a distanciar-se da China, seu único aliado de importância, ao descartar a possibilidade de abandonar seu programa armamentista. Em 2016, Kim Jong-un fez foi nomeado presidente de uma Comissão de Assuntos de Estado que está acima de todos os poderes norte-coreanos, ilustrando o controle absoluto que detém.

O líder está no poder há quase seis anos, mas a comunidade internacional pouco sabe sobre ele. Nunca visitou de forma oficial qualquer país estrangeiro. Não se soube de seu casamento até julho de 2012, quando foram publicadas fotos de uma jovem, Ri Sol-Ju, que o acompanhava em atos oficiais. A imprensa sul-coreana informou semana passada que o casal teve seu terceiro filho no início deste ano.

Infância

Kim Jong-un é filho da terceira mulher de Kim Jong-il, uma bailarina coreana nascida no Japão. Ele estudou em colégios na Suíça, onde era considerado um jovem ambicioso e onde descobriu, entre outras coisas, o basquete, o esqui e os filmes de Jean-Claude Van Damme.

Os funcionários de uma escola que frequentou e seu colegas, que segundo a imprensa desconheciam o fato de ele fazer parte da família governante da Coreia do Norte, lembram dele como uma criança tímida. Em uma entrevista ao Washington Post, Ko Yong-Suk, que desertou em 1998 para os EUA, descreveu Kim como um menino mimado e intolerante.

Dennis Rodman, ex-estrela do time de basquete Chicago Bulls, visitou várias vezes Pyongyang e é um dos poucos ocidentais conhecidos a ter se reunido com Kim recentemente. 

Desde os 8 anos, Kim Jong-un sabia que se tornaria o líder de seu país, mas só começou a aparecer em público em 2008, após o derrame cerebral de seu pai. O regime acelerou então os preparativos dessa nova sucessão dinástica. Seu pai, Kim Jong-il, por outro lado, havia sido preparado durante décadas para assumir o poder após a morte do fundador da Coreia do Norte, Kim Il-sung, morto em 1994.

Apesar da falta de experiência, Kim Jong-un logo adotou a diplomacia de alto risco praticada por seu pai e por seu avô, provocando uma série de crises. 

Kim Il-sung continua a ser venerado na Coreia do Norte. Por isso, seu neto imita sua maneira de vestir, seu penteado - corte de cabelo que deixa a nuca e as orelhas descobertas - e sua forma de falar e até de escrever. Em contrapartida, parece ter se distanciado do legado do seu pai, cujo reinado foi marcado por uma grave crise alimentar que deixou milhares de mortos.  / AFP

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