REUTERS/KCNA
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Kim Jong-un ordena que tropas na fronteira fiquem prontas para o combate contra Seul

Líder da Coreia do Norte deu prazo até a manhã de sábado para que a Coreia do Sul interrompa propaganda na fronteira; na quinta, Kim disse que os dois países estão em 'quase estado de guerra'

O Estado de S. Paulo

21 de agosto de 2015 | 11h54

PYONGYANG - O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, ordenou que as tropas do Exército Popular Coreano situadas na fronteira com a Coreia do Sul fiquem prontas para o combate a partir das 17 horas (5 horas, em Brasília) desta sexta-feira, 21, após declarar um "quase estado de guerra" com o país vizinho.

A decisão foi tomada em uma reunião de emergência com Comissão Militar Central, na quinta-feira, após um duelo entre as tropas dos dois lados. Seul disparou dezenas de obuses em resposta a um suposto ataque com foguete de Pyongyang.

O líder norte-coreano também teria ordenado a seus comandantes que se dirijam à primeira linha das tropas para preparar as operações militares.

"Os comandantes do Exército Popular de Coreia foram rapidamente enviados junto às tropas de primeira linha a fim de comandar as operações militares para destruir as ferramentas de guerra psicológica caso o inimigo não interrompa a emissão de propaganda nas próximas 48 horas", afirmou a Televisão Central da Coreia do Norte (KCTV) em transmissão noticiada pela agência oficial sul-coreana "Yonhap".

O governo local de Yeoncheon, 60 km ao norte de Seul, informou que os moradores da região de fronteira receberam ordens para abandonar suas casas e seguir para refúgios.

Pyongyang deu um ultimato de 48 horas a Seul para desativar os alto-falantes que fazem propaganda na fronteira, sob pena de se expor a ações militares. A advertência expira às 8 horas (horário local) de sábado. O ministério sul-coreano da Defesa rejeitou a exigência e garantiu que a propaganda vai continuar. 

O novo conflito entre as duas Coreias começou na quarta-feira, quando o Exército norte-coreano disparou com artilharia em direção à área onde se encontra a unidade militar sul-coreana de Yeoncheon, localizada na parte oeste da Zona Desmilitarizada (DMZ) que divide ambos os países.

A Coreia do Sul, que detectou o ataque através de seus radares militares, não sofreu danos pessoais ou materiais, segundo confirmou um porta-voz do Ministério da Defesa de Seul.

Bloqueio. Seul anunciou nesta sexta-feira que estabeleceu restrições no acesso de seus cidadãos ao complexo industrial conjunto de Kaesong, situado na Coreia do Norte, devido à tensão militar após a troca de artilharia entre ambos países.

Apenas os diretores das 124 empresas sul-coreanas que operam no polígono poderão atravessar a fronteira, enquanto os trabalhadores e terceirizados terão o acesso vetado a partir desta sexta, informou uma representante do Ministério de Unificação sul-coreano.

O complexo de Kaesong, no qual 55.000 operários norte-coreanos fabricam produtos de todo tipo para as empresas da Coreia do Sul, é o único projeto econômico conjunto mantido pelas duas Coreias e suas operações costumam se ver alteradas em momentos de crise ou tensão militar entre os países.

Em 2013 um longo episódio de tensão entre as duas Coreias, com ameaças de guerra contínuas do Norte, provocou o fechamento do complexo de Kaesong, que permaneceu enclausurado durante cinco meses ocasionando fortes perdas às empresas.

As Coreias do Norte e do Sul permanecem tecnicamente em conflito desde a Guerra da Coreia (1950-53), que finalizou com um armistício que nunca substituído por um tratado de paz definitivo. 

/ EFE, AFP e REUTERS

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