REUTERS/KCNA/Handout via Reuters
REUTERS/KCNA/Handout via Reuters

Kim Jong-un tem currículo de execuções e fome na Coreia do Norte

Segundo ONU, várias pessoas foram mortas desde que ele chegou ao poder e há milhares de presos políticos em condições terríveis

O Estado de S.Paulo

13 Junho 2018 | 05h00

WASHINGTON - Após a cúpula do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Cingapura, grupos de direitos humanos vivem a expectativa de que Trump traga à tona os crimes contra a humanidade cometidos pela Coreia do Norte. Kim governa com extrema brutalidade, o que coloca seu país entre os maiores violadores dos direitos humanos do mundo. 

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A lista de crimes compreende “extermínio, assassinato, escravização, tortura, prisões, estupro, aborto forçado e outras violências sexuais, perseguição política, religiosa, racial e de gênero, remoção forçada da população, desaparecimento criminoso de pessoas e ações desumanas que causam fome prolongada”, concluiu um relatório da ONU de 2014. 

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Entre as atrocidades de Kim estão milhares de pessoas que cometeram crimes políticos que estão presas e enviadas, sem julgamento, a campos de prisioneiros. Em 2014, havia cerca de 120 mil prisioneiros vivendo em condições terríveis nas quatro maiores prisões políticas do país, segundo relatório da ONU. 

Os presos passam fome, são submetidos a trabalhos forçados, torturados e violentados. O direito à procriação é negado por meio do aborto forçado e do infanticídio. Centenas de milhares de presos políticos morreram em prisões nos últimos 50 anos, ainda segundo o documento. A Coreia do Norte também mantém prisões para condenados por crimes comuns, nas quais também há trabalho forçado, fome, tortura e sofrimento. 

Desde que chegou ao poder, em 2011, Kim consolidou seu poder por meio de execuções. Nos primeiros seis anos, ele ordenou a morte de pelo menos 340 pessoas, segundo o Instituto Nacional de Segurança e Estratégia, ligado ao Serviço Nacional de Informações dos EUA. 

Em 2016, o vice-primeiro-ministro, Kim Yong-jin, enfrentou o pelotão de fuzilamento “por sua posição desrespeitosa” durante uma reunião. Um tio do ditador, Jang Song-thaek, foi condenado por traição e executado com metralhadoras antiaéreas. Em seguida, seu corpo foi incinerado com lança-chamas. 

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Uma das mais citadas violações de direitos humanos é a doutrinação política. Segundo a ONU, a Coreia do Norte “opera uma abrangente máquina de doutrinação que funciona a partir da infância, destinada a propagar oficialmente o culto à personalidade de Kim, induzir à obediência absoluta” ao líder supremo e “incentivar o ódio a Japão e EUA. 

Além disso, os cristãos são proibidos de praticar sua religião e os que desobedecem “estão sujeitos a severas punições”. De 2 milhões a 3 milhões de pessoas morreram na prolongada fome da Coreia do Norte, nos anos 90. Naquela década, a o governo usou os alimentos como ferramenta para forçar a lealdade política, priorizando sua distribuição pelo critério de maior utilidade ao sistema político, segundo o estudo das Nações Unidas. Atualmente há grande desnutrição no país. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ, NYT

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