AFP PHOTO / KCNA / KNS
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Kim 'promove' mulher a primeira-dama antes de cúpulas com Coreia do Sul e EUA

Para analistas, ascensão de Ri Sol-ju poderia ser uma estratégia da Coreia do Norte para parecer um ‘Estado normal’ antes das reuniões com Moon Jae-in e Donald Trump

O Estado de S.Paulo

19 Abril 2018 | 11h18

SEUL - O líder norte-coreano, Kim Jong-un, concedeu à sua mulher, Ri Sol-ju, o título de “primeira-dama’, uma ascensão importante, na opinião de alguns analistas, antes das cúpulas com a Coreia do Sul e os EUA.

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Embora Ri Sol costume acompanhar o marido em atos oficiais, no fim de semana ela fez a sua primeira aparição pública somente para assistir à apresentação de balé de uma companhia chinesa.

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Os meios oficiais norte-coreanos noticiaram o acontecimento e qualificaram Ri como uma “respeitada primeira-dama”. É a primeira vez em 40 anos que se utiliza esta nomenclatura, com um adjetivo que normalmente está reservado aos dirigentes.

A famosa apresentadora da Coreia do Norte, Ri Chun-hee, conhecida por ter a honra de anunciar grandes notícias, destacou o ato na televisão, reforçando o status da mulher de Kim.

Elegantemente vestida de rosa para a ocasião, Ri Sol esteve acompanhada por funcionários norte-coreanos de alto escalão, que costumam aparecer junto a Kim Jong-un. Entre eles, está sua irmã, Kim Yo-jong.

Os especialistas consideram Ri, que era cantora, uma pessoa de influência, ainda que até o momento seu papel tenha se limitado a ser a mulher elegante do líder de um país profundamente patriarcal.

Segundo os analistas, esta ascensão poderia ser uma estratégia do país para parecer um “Estado normal” antes das reuniões com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e o líder americano, Donald Trump. Ambos devem estar com suas primeiras-damas, Kim Jung-sook e Melania Trump, respectivamente.

“A ascensão de Ri Sol é a estratégia de marketing mais eficaz”, comenta An Chan-il, desertor norte-coreano e pesquisador no Instituto Mundial de Estudos Norte-Coreanos.

Trauma materno

“A reunião terá lugar entre iguais. Se Melania Trump estiver presente, Ri Sol estará presente”, garante An Cha-il. O especialista lembra que Ri acompanhou o marido a Pequim, em março, na primeira visita ao exterior do líder norte-coreano desde sua chegada ao poder no fim de 2011.

Até agora, a imprensa oficial qualificava Ri de “camarada”. O título de “primeira-dama” foi utilizado pela última vez com Kim Song-ae, a segunda mulher do fundador da Coreia do Norte, Kim Il-sung, em 1974.

A figura de Ri Sol-ju segue cercada de mistério. Acredita-se que ela tenha 29 anos e três filhos com seu marido. Segundo o serviço secreto sul-coreano, ela vem de uma família comum, de um pai professor e uma mãe médica.

Ex-membro da orquestra Unhasu, Ri teve uma formação musical na China, segundo a imprensa local. Fez parte do grupo de animadoras de torcida enviado à Coreia do Sul em 2005 para uma competição esportiva internacional.

Em um país minado pela pobreza crônica, a mulher de Kim é conhecida por usar roupas de luxo. Em algumas ocasiões, foi vista com uma bolsa da Dior.

Analistas consideram que Kim quer reforçar sua figura em razão do papel marginal imposto à sua própria mãe, Ko Yong-hui. Coreana do Japão, ela teve três filhos com o pai e antecessor de Kim Jong-un, Kim Jong-il. Mas ao longo de seus 28 anos de casamento, ela sempre foi relegada a um plano marginal. Morreu em 2004 de um câncer de mama, segundo a imprensa. Fez tratamento em Paris e seus restos mortais foram repatriados em segredo para Pyongyang.

Até 2012, não teve direito a um túmulo, após a chegada de Kim ao poder. “Acredito que o trauma de Kim, de ter visto sua mãe viver na sombra, seja um fator”, estima Shin Beom-chul, analista do Instituto Asan de estudos políticos. “Isso pode estimulá-lo a reforçar o estatuto de sua mulher.”

Diferentemente de seu pai e de seu avô, Kim Jong-un se viu, com frequência, acompanhado por mulheres, em especial Ri Sol-ju e Kim Yo-jong. Antes, as mulheres ou irmãs dos dirigentes quase não apareciam em público. Kim, por exemplo, enviou sua irmã aos Jogos Olímpicos de Inverno organizados este ano na Coreia do Sul para lançar uma estratégia de aproximação. / AFP

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