EFE/EPA/KCNA
EFE/EPA/KCNA

Trump enviou carta a Kim para relançar diálogo, diz Pyongyang

Conteúdo do documento, cujo envio foi confirmado pela Casa Branca, foi considerado ‘excelente’ pelos norte-coreanos; conversas sobre a questão nuclear entre Estados Unidos e Coreia do Norte, no entanto, estão em ponto morto

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2019 | 06h36
Atualizado 23 de junho de 2019 | 21h26

PYONGYANG - O líder norte-coreano, Kim Jong-un, recebeu uma carta pessoal do presidente americano, Donald Trump, com "um conteúdo excelente", afirmou neste domingo, 23, a agência oficial norte-coreana KCNA.

"Após ler a carta, Kim disse, com satisfação, que seu conteúdo era excelente", assinalou a agência. "Agradecendo pela capacidade de julgamento político e valentia extraordinária do presidente Trump, Kim disse que levaria seriamente em consideração o conteúdo interessante da carta", segundo a fonte oficial.

A agência não deu mais detalhes sobre o conteúdo do documento, mas a Casa Branca confirmou a troca de mensagens e garantiu que “a correspondência entre os dois líderes está em curso”.

A Coreia do Sul disse que também foi informada da existência da troca de mensagens. “Seul considera positivo que o diálogo entre o Norte e os EUA continue avançando por meio de trocas de cartas no mais alto nível”, indicou o país. 

Em 11 de junho, Trump disse ter recebido uma carta "magnífica" de Kim e que continuaria confiando na Coreia do Norte, apesar da ausência de progressos tangíveis na desnuclearização.

As conversas sobre a questão nuclear entre Estados Unidos e Coreia do Norte estão em ponto morto desde a reunião de cúpula de Hanói, em fevereiro, a segunda entre Trump e Kim, na qual os dois não chegaram a um acordo sobre um possível relaxamento das sanções e sobre o que a Coreia deveria fazer em contrapartida.

A China tem a chave

Kim Jong-un recebeu esta semana em uma visita de Estado do presidente da China, o único grande aliado de Pyongyang, apesar de também aplicar sanções internacionais contra o regime norte-coreano. 

Xi Jinping garantiu a Kim que saudou "os esforços da Coreia do Norte para manter a paz e a estabilidade na península coreana e promover sua desnuclearização".

"A China é a chave do que a Coreia do Norte mais deseja: garantias de segurança e desenvolvimento econômico", explicou Koh Yu-hwan, professor da Universidade Dongguk, em Seul.  "Depois de ter obtido a promessa de ajuda ativa da China nesses dois aspectos, Kim estende a mão aos EUA", acrescentou.

Xi e Trump se encontrarão por ocasião da cúpula do G-20 no final de junho no Japão. Analistas acreditam que o presidente chinês vai usar sua viagem a Pyongyang para mostrar ao seu colega americano a influência que ele tem sobre Kim.

As tensões entre a Coreia do Norte e o resto do mundo diminuíram consideravelmente no ano passado, após os níveis dos anos anteriores devido a testes nucleares e disparos de mísseis pelo regime de Pyongyang. 

Esta distensão foi ilustrada em 2018 com a histórica reunião entre Kim e Trump em Cingapura. Mas sua segunda cúpula, em fevereiro passado, em Hanói, foi concluída sem progresso, permanecendo bloqueada na questão da desnuclearização da Coreia do Norte. 

Washington exige que isso ocorra antes de retirar as sanções internacionais, e Pyongyang se nega a isso. / AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.