Kim tenta controlar processo de sucessão

Filho preferido de ditador tem apenas 24 anos e pouca experiência política; luta interna por poder poderia levar Coreia do Norte ao colapso

Luciana Alvarez, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2009 | 00h00

Sem regras determinadas, a sucessão na Coreia do Norte desperta preocupação em todo o mundo. Aparentemente, o líder comunista Kim Jong-il tenta usar os testes balísticos e nucleares para se fortalecer, conquistar o apoio dos militares e dar as cartas em sua sucessão. Há indicações de que o preferido do ditador seria o filho mais novo, Kim Jong-un, de 24 anos. Veja linha do tempo multimídia da escala da tensão com PyongyangPor tratar-se de um dos regimes mais fechados do mundo, há poucas informações confiáveis sobre a família do Querido Líder. A maior parte do que se sabe vem do serviço secreto sul-coreano, de dissidentes e de um sushiman japonês que trabalhou para Kim durante 13 anos. "Os norte-coreanos fazem de tudo para dificultar que saibamos o que está realmente ocorrendo por lá. Só podemos contar com ?especulações de fontes bem informadas?", afirmou ao Estado John Pike, diretor do centro de estudos Global Security, dos EUA.A discussão sobre quem será o substituto de Kim se intensificou no meio do ano passado, quando o líder, de 68 anos, ficou vários meses sem aparecer em público e surgiram boatos de que ele teria sofrido um derrame. Na ocasião, cogitou-se da possibilidade de que Kim Ok, secretária e supostamente quarta mulher de Kim, estaria tomando as decisões políticas. Em janeiro, o ditador voltou a comparecer a eventos oficiais, mas estava mais magro e com aparência abatida, o que só confirmou as suspeitas sobre seus problemas de saúde. "Kim está doente e seu filho preferido é muito novo. Provavelmente, ele morrerá antes de o filho segurar com firmeza as rédeas do poder", diz Pike.A perspectiva de Kim Jong-un não conseguir assumir o poder aumenta as especulações sobre a indicação de um de seus irmãos mais velhos, ou mesmo do experiente cunhado do ditador, Jang Song-taek. Outra hipótese seria a formação de uma junta militar, pois o Exército tem papel central no governo norte-coreano. Mas a grande diferença de opinião entre as muitas gerações de generais complica essa alternativa. Independentemente do escolhido por Kim, muitos analistas trabalham com a hipótese de a troca de poder não ser bem-sucedida, o que poderia levar a uma mudança no regime político de Pyongyang ou mesmo ao colapso do Estado. "A sucessão de Kim Jong-il pode se tornar uma confusão, um processo contestado por certos indivíduos ou facções", avalia um relatório do Council on Foreign Relations, dos pesquisadores Paul Stares e Joel S. Wit.Sem a legitimidade que a dinastia Kim experimentou até agora, dificilmente o próximo líder conseguiria manter a concentração de poder dos antecessores, abrindo caminho para uma mudança no sistema de governo. No entanto, em um país pobre e quase sem infraestrutura, a luta pelo poder pode causar uma crise humanitária. "A perda de controle de Pyongyang poderia produzir um colapso mais amplo", afirma o relatório.CANDIDATOS AO PODER Kim Jong-nam - Filho mais velho, de 37 anos, era considerado favorito até ser pego tentando entrar no Japão com passaporte falso para ir à Disney Kim Jong-chol - Filho do meio, de 27 anos, estudou na Suíça e é fã de basquete. Há boatos de que seja homossexual Kim Jong-un - Filho mais novo, de 24 anos, atualmente é considerado o preferido do pai. Pesa contra ele a falta de experiênciaJang Song-taek - Marido da irmã mais nova de Kim, voltou a aproximar-se do líder em 2006 após período afastamento por ter concentrado muito poder

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