KCNA/via REUTERS
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Kim testa míssil capaz de atingir EUA; Rússia e China tentam evitar conflito

Governo americano confirma que projétil lançado por Pyongyang é intercontinental e Kim diz que foi um 'presente' pelo 4 de Julho; líderes russo e chinês sugerem a norte-coreanos ‘moratória’ dos testes e a Washington que cesse exercícios

O Estado de S.Paulo

05 Julho 2017 | 05h00

WASHINGTON - A confirmação de que a Coreia do Norte lançou um míssil de longo alcance capaz de atingir o Alasca mobilizou nesta terça-feira grandes potências para barrar a escalada em direção a um conflito. Os presidentes da Rússia e China apresentaram um plano conjunto para convencer Pyongyang a congelar atividades nucleares e testes de foguetes.

O presidente americano, Donald Trump, publicou um tuíte referindo-se ao ditador norte-coreano Kim Jong-un: “Este cara não tem algo melhor para fazer com sua vida?”. 

Após supervisionar o lançamento pessoalmente, Kim disse, segundo a agência KCNA, que “os bastardos americanos não vão ficar muito contentes com esse presente enviado pelo aniversário de 4 de Julho (Dia da Independência nos EUA)”. Rindo, o norte-coreano acrescentou que “deveria enviar presentes de vez em quando para ajudá-los a sair do tédio”. A KCNA disse, citando Kim, que o confronto com os EUA entrou em "sua fase final".

 

O secretário americano de Estado, Rex Tillerson, confirmou que o lançamento desta terça-feira (noite de segunda-feira no Ocidente) havia sido mesmo de um míssil balístico intercontinental e o considerou “uma nova escalada da ameaça aos EUA”. 

O novo míssil voou por mais tempo do que qualquer outro lançado pelos norte-coreanos, por 37 minutos. Esta é a primeira vez que o governo em Pyongyang consegue lançar um míssil com essas características. A Rússia disse que o míssil era de médio alcance. O Pentágono investiga a ação para dar uma análise mais detalhada do teste, o 11.º deste ano, realizado no 4 de Julho, Dia da Independência dos EUA. 

Os membros do governo americano se reuniram nesta terça-feira, apesar de Trump estar descansando em seu clube de golfe em Virgínia pelo feriado nacional. Eles pediram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, que deve ocorrer nesta quarta-feira à tarde.

Em sua reação ao lançamento, Trump acrescentou no Twitter: “É difícil acreditar que Japão e Coreia do Sul vão suportar isso por muito mais tempo.” O presidente americano pediu à China, aliada histórica do regime de Pyongyang, “que acabe com essa palhaçada de uma vez por todas”. 

Em um comunicado, os presidentes de Rússia e China, Vladimir Putin e Xi Jinping, pediram à Coreia do Norte que adote uma “moratória” de seus testes nucleares e lançamentos de mísseis e aos EUA que cessem seus exercícios militares na região para reduzir a tensão.

Putin explicou que Rússia e China concordaram em impulsionar “uma iniciativa comum, que tem como base o plano russo de recuperação do conflito coreano por etapas e a ideia chinesa de congelar paralelamente as atividades nucleares e de mísseis da Coreia do Norte e as manobras militares de EUA e Coreia do Sul”.

Segundo o New York Times, Trump teria dito a Xi Jinping em um telefonema no domingo que os EUA estão preparados para agir sozinhos para pressionar a Coreia do Norte, se for necessário.

David Wright, analista da ONG Union of Concerned Scientists, afirmou que a Coreia do Norte conseguiu aumentar o alcance de seus mísseis e este último, por suas características, poderia ter atingido “qualquer ponto do Alasca”. 

A Coreia do Norte disse que o lançamento “histórico” do míssil Hwasong-14 tinha sido um sucesso. Pyongyang justifica os programas com a ameaça representada pelos EUA, que mantêm 28 mil soldados na Coreia do Sul. O canal oficial norte-coreano exibiu imagens da ordem de Kim Jong-un, com data de segunda-feira e escrita a mão. Fotos distribuídas pelo regime mostram o ditador em uma mesa ao ar livre, recorrendo a um binóculo para ver o teste.

A escalada de tensão ocorre uma semana após um encontro de Trump com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in. Após a reunião, Trump afirmou que a “ameaça” norte-coreana exigia uma “resposta firme”. 

Pyongyang lançou vários mísseis desde a chegada de Moon ao poder. O novo presidente sul-coreano é favorável à adoção de mais sanções para impedir que Pyongyang desenvolva seu arsenal nuclear, mas não fechou a porta ao diálogo.

Economia. As sanções do Ocidente quase não afetaram a economia norte-coreana e especialistas estimam que ela esteja crescendo entre 1% e 5% ao ano.

Isso ocorre em parte porque as sanções não têm como objetivo afetar a economia, mas punir indivíduos ligados ao programa nuclear norte-coreano e impedir a venda de material militar e de componentes do sistema de mísseis ao país comunista.

As pequenas e médias empresas proliferaram no país depois que as reformas encorajadas por líder Kim Jong-un tornaram possível para indivíduos gerarem lucro. Além de produzir para o Estado, os agricultores e as fábricas agora têm a liberdade de encontrar comparadores para seus produtos.

A China compra 99% do carvão exportado pela vizinha Coreia do Norte, que também pode obter divisas estrangeiras usando companhias de fachada no exterior, as redes chinesas e traficando armas e drogas.

Repercussão. O Itamaraty divulgou uma nota ontem manifestando grave preocupação com o lançamento do míssil e conclamando as partes envolvidas a retomarem a via do diálogo, com vistas à desnuclearização da Península Coreana e ao fortalecimento da paz e da segurança na região.  / EFE, AFP, REUTERS e THE ECONOMIST

 

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