Kirchner admite sofrer ameaças da máfia policial

Pela primeira vez na história daArgentina, um presidente da República admite publicamente que foi ameaçado pela polícia. Neste fim de semana, o presidente Néstor Kirchner confessou que recebeu ligações telefônicas supostamente da polícia daprovíncia de Buenos Aires, popularmente chamada de "LaBonaerense".As ameaças surgiram dias depois que Kirchner começou umprocesso de "limpeza" dessa força policial conhecida como a maiscorrupta da Argentina. "La Bonaerense" possui mais homens sobseu comando do que o próprio exército argentino. Nas últimas semanas, Kirchner ordenou a remoção de diversosdelegados de "La Bonaerense" que possuíam misterioras emilionárias contas bancárias.Além disso, afirmou publicamente que delegados dessa forçaestariam por trás da onda de seqüestros-relâmpago que assola acapital argentina e os municípios da área metropolitana.Nos telefonemas que Kirchner recebeu ao longo da última semana uma voz anônima indicava ser conhecido cada movimento de seusfilhos e do resto de sua família.Diversos delegados são suspeitos de participar do narcotráfico e do contrabando dearmas, muitas das quais são enviadas para as quadrilhas do Riode Janeiro.O juiz federal Juan José Galeano suspeita que a polícia deBuenos Aires esteve envolvida diretamente na organização doatentado contra a associação beneficente judaica AMIA em 1994.Além disso, "La Bonaerense" é acusada de ter assassinado ojornalista fotográfico José Luis Cabezas, por ordem do jáfalecido empresário Alfredo Yabrán, um homem de intensosvínculos com o ex-presidente Carlos Menem (1989-99).Uma pesquisa feita pelo Clarín.com junto com a consultoriaD´Alessio Irol, indica que 60% dos argentinos consideram que opresidente Kirchner não corre riscos por enquanto. Outros 40%afirmam que a vida de "El Pingüino" está em perigo. Nunca antesna história argentina um presidente sofreu um atentado mortal.

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