Kirchner afasta o ministro da Justiça

O governo do presidente Néstor Kirchner chegou ao auge da grave crise causada nas últimas semanas pela escalada da violência nos protestos sociais. O ponto culminante foi a demissão, sábado, do ministro da Justiça, Gustavo Béliz, que na sexta-feira havia chamado de "máfias" os integrantes da Polícia Federal e do Serviço de Inteligência do Estado (Side).Kirchner, que estava na Venezuela em visita oficial, ficou furioso com as declarações de seu ministro e antecipou seu retorno à capital argentina. Fiel a seu estilo direto, sem papas na língua, o presidente - do próprio avião - ordenou a demissão categórica de Béliz. Esta é a primeira vez que Kirchner remove um ministro. Ele bateu o recorde de todos os presidentes anteriores desde a volta da democracia, em 1983, ao não modificar seu gabinete no primeiro ano de governo.A remoção de Béliz é apenas a ponta do iceberg de uma crise que está assolando a segurança pública. O governo enfrenta um número crescente de protestos realizados por grupos de dezenas de milhares de desempregados, que fazem piquetes nas avenidas para exigir comida e dinheiro. Na opinião pública espalha-se rapidamente a sensação de que o presidente está sendo "fraco" com os protestos, o que está causando uma queda de sua popularidade. Só no mês passado sua imagem despencou 10 pontos porcentuais.

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