Kirchner anuncia ministro da Economia como companheiro de chapa

Líder credita Amado Boudou por país ter mantido taxa de crescimento durante crise global.

Marcia Carmo, BBC

25 de junho de 2011 | 20h24

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou neste sábado que o atual ministro da Economia, Amado Boudou, será o candidato a vice-presidente na sua candidatura à reeleição, no pleito de outubro.

A presidente disse que a nacionalização dos fundos de pensão e de aposentadoria, sugerido por Boudou, e o crescimento da economia foram "decisivos" para sua escolha.

"O ministro da Economia vai me acompanhar para que nos submetamos à vontade popular", afirmou a presidente.

"Nestes oito anos de gestão e o no período dele (o ex-presidente Nestor Kirchner) tomamos decisões importantes, como o pagamento da divida e do FMI. Depois disso, na minha gestão foi importante recuperar os recursos dos trabalhadores", disse ela.

"A pessoa que me sugeriu esta medida e que me disse que o mundo tinha mudado é o homem que vai me acompanhar, Amado Boudou", afirmou.

Segundo ela, as ideias de Boudou foram fundamentais para que a Argentina enfrentasse a crise global de 2008-2009 sem reduzir o ritmo do seu crescimento econômico - em torno dos 9% anuais.

Lealdade

Cristina Kirchner destacou ainda que a "lealdade" deve ser "um dos atributos" do vice porque, segundo ela, "as instituições valem mais que os homens".

Seu atual vice-presidente, senador Julio Cobos, é atualmente um dos opositores do governo. Cristina e Cobos não se falam desde que ele votou contra um projeto do governo que era criticado pelos fazendeiros do país, em 2008.

O anúncio da presidente foi feito cinco horas antes do limite máximo para a inscrição das candidaturas na Justiça Eleitoral.

Pesquisas de opinião indicam que Cristina seria reeleita se as eleições fossem hoje.

O anúncio do nome do vice gerava forte expectativa no país. Analistas diziam que a fórmula indicaria a linha política do futuro governo.

"Com Boudou, a fórmula é a do Kirchnerismo puro", disse o analista político da TV Todo Noticias, Edgardo Alfano.

O líder do governo na Câmara dos Deputados, deputado Agustín Rossi, disse que a decisão da presidente foi "excelente" porque a nacionalização das chamadas AFJPs (Administração de Fundos de Aposentadorias e Pensões), ideia de Boudou, "foi fundamental" para o país.

Segundo ele, com a nacionalização o governo teve recursos para medidas como a distribuição de benefícios para os mais carentes.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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