Kirchner anunciará novas medidas contra jornais

A presidente argentina, Cristina Kirchner, anunciará hoje uma nova ofensiva na Justiça contra os jornais Clarín e La Nación, para remover destas empresas sua participação na Papel Prensa, a principal fábrica de papel de jornal do país. O anúncio será feito no final da tarde no palácio presidencial.

AE, Agência Estado

24 de agosto de 2010 | 07h43

A estratégia do governo será mostrar que o Clarín e o La Nación - além do extinto jornal La Razón - adquiriram a Papel Prensa no início da ditadura militar, em 1976, após os donos da fábrica serem torturados. Antes da venda, 75% da empresa pertencia à família Graiver e 25% ao Estado argentino. Atualmente, a empresa é controlada pelo Clarín, que possui 49% das ações; o Estado é dono de 27,46%; e o jornal La Nación, 22,49%. O 1,05% restante está nas mãos de pequenos investidores.

Se a operação de venda feita em 1976 for cancelada, Lidia Papaleo - viúva do último proprietário da Papel Prensa, o banqueiro David Graiver (suposto financiador do grupo guerrilheiro Montoneros nos anos 70) - teria direito de pleitear na Justiça a posse da empresa.

Segundo o governo, os jornais foram cúmplices do regime militar. Papaleo afirma que foi forçada a vender suas ações após ser torturada e ameaçada de morte pelo presidente do Grupo Clarín, Héctor Magnetto, além de generais da ditadura. Essa versão é desmentida por um dos companheiros de prisão de Papaleo, Gustavo Carballo. Ele afirma que os herdeiros de Graiver foram torturados meses depois da venda da empresa. "Vincular a venda (da Papel Prensa) à tortura é falso." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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