Kirchner busca também liderar Unasul

Ex-presidente argentino tem apoio de Chávez e Evo para presidir entidade

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

O ex-presidente Néstor Kirchner, além de candidato a uma vaga de deputado federal nas decisivas eleições legislativas argentinas de 28 de junho, também espera obter o cargo de secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas, a Unasul - criada em 2007 para aprofundar a integração econômica e política da região.Dias depois das eleições argentinas, os presidentes dos países da Unasul - incluindo a mulher de Kirchner, Cristina - se reunirão em Santiago. Os presidentes sul-americanos, no entanto, estão divididos sobre a candidatura de Kirchner. Alguns - como o da Bolívia, Evo Morales; do Equador, Rafael Correa; e o venezuelano Hugo Chávez - defendem Kirchner. Outros o apoiam, mas sem entusiasmo. O uruguaio Tabaré Vázquez, no entanto, já deixou claro que vetará a pretensão de Kirchner.O governo uruguaio sustenta que é preciso unanimidade para o cargo de secretário-geral. O argentino, entretanto, alega que Kirchner só precisa da maioria para ser escolhido. Montevidéu afirma que, se o princípio de unanimidade não for aplicado, o Uruguai se retirará da Unasul.Diplomatas consultados pelo Estado ressaltam que Kirchner tem um histórico que contraria os preceitos da diplomacia e da negociação política, uma vez que é partidário da estratrégia de "bater primeiro para conversar depois". De quebra, o próprio Kirchner costuma afirmar que possui aversão a todo tipo de reuniões de cúpula: "Não gosto de ir por aí de coquetel em coquetel."Atualmente, a presidência da Unasul é exercida de forma rotativa, com mandato de um ano, por presidentes dos países-membro.IRRITAÇÃOO governo uruguaio está irritado com Kirchner desde 2005, quando ele apoiou os manifestantes argentinos que faziam piquetes nas pontes que ligam a Argentina ao Uruguai. Os manifestantes protestavam contra o funcionamento da fábrica de celulose Botnia, do lado uruguaio da fronteira e bloqueiam uma das pontes de forma ininterrupta há quase quatro anos.O Uruguai levou o caso à Corte Internacional de Haia, alegando que está sendo violado o direito de livre circulação do Mercosul.

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