Kirchner cobra apoio dos EUA pela paz no Oriente Médio

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, avaliou hoje que os Estados Unidos devem se esforçar mais no processo de paz no Oriente Médio. "Para construir a paz acima de todas as coisas, o que faz falta, além de encontrar critérios e respeitar o direito internacional, é ter vontade de paz. Creio que este é um elemento muito importante e creio que os Estados Unidos, sinceramente, podem fazer mais do que estão fazendo neste sentido", criticou a presidente em entrevista à imprensa por ocasião da visita do líder palestino Mahmoud Abbas à Argentina.

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

23 Novembro 2009 | 19h46

"Temos que colaborar fortemente na formulação de propostas. Mas, também não podemos ignorar o papel que os EUA, por seu peso específico, têm para conseguir que o Estado de Israel retroceda ao que eram as conversações com o governo anterior", completou. A declaração de Cristina Kirchner foi uma crítica à estagnação das negociações de paz entre Israel e Palestina, após quase duas décadas desde o início do chamado processo de paz de Oslo.

Abbas também se dirigiu ao presidente dos EUA. "O que pedimos ao presidente Obama e a toda comunidade internacional são duas coisas: a primeira é que Israel detenha os assentamentos totalmente, inclusive os de evolução natural; a segunda é o que havíamos acertado com o governo israelense anterior (...) de retornar às fronteiras do ano 1967" (data em que o território palestino começou a ser invadido pelos israelenses). "Se aplicamos isso e o mundo se compromete a implementar isso, as negociações serão mais fáceis", afirmou Abbas.

América Latina

Abbas desembarcou no domingo em Buenos Aires, após visita prévia à Venezuela e, depois, ao Brasil, onde foi buscar apoio à condenação do plano de Israel de construir 900 novas casas nos assentamentos próximos à Jerusalém. Obama também criticou a investida de Israel, mas o primeiro ministro daquele país, Benjamin Netanyahu, argumentou que os assentamentos não podem ser interrompidos porque é "um crescimento natural" das famílias.

O líder palestino visitou a Argentina no mesmo dia em que Lula recebeu o presidente do iraniano Mahmoud Ahmadinejad, sob uma chuva de protestos. Na semana passada, o presidente de Israel, Shimon Peres, que também visitou o Brasil e a Argentina, pediu aos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, respectivamente, maior participação nas negociações de paz no Oriente Médio.

A presença de Ahmadinejad no Brasil despertou críticas e suscetibilidades na Argentina, que teme a atitude de Lula como uma manobra para aumentar a liderança brasileira, segundo afirma a imprensa argentina.

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