Kirchner comemora aniversário de governo em clima de campanha

O Presidente argentino Nestor Kirchner convocou dezenas de milhares de apoiadores para um comício em frente à Casa Rosada nesta quinta-feira em comemoração ao terceiro aniversário de seu governo, uma iniciativa considerada por muitos como uma jogada política para sua reeleição no ano que vem. Centenas de pessoas começaram a se dirigir para a Praça de Maio, a principal da cidade, em frente à sede do governo, enquanto se preparam para o discurso do presidente, marcado para as 17 horas. Argentinos de várias partes do país viajaram para a capital em ônibus e trens e contratados pelo governo e rumaram para o centro da cidade onde centenas de guardas estavam a postos. Kirchner iniciou o dia com compromissos que incluem uma missa na catedral da Praça de Maio e os cumprimentos de diplomatas e dignatários na Casa Rosada.Durante seu discurso na Praça de Maio, Kirchner deve ser acompanhado por seus ministros, governadores e outros políticos de todo o país. Em frente à Casa Rosada, um grande palco foi construído especialmente para o feriado. O 25 de maio marca o primeiro governo argentino independente da Espanha, em 1810. Também devem participar do evento músicos como a cantora Mercedes Sosa e outras bandas locais. "O presidente Kirchner está trazendo todos aqueles que o apóiam", disse o senador Antonio Cafiero, do partido peronista de Kirchner. "Encher a praça com pessoas é um símbolo de união".O governo de Kirchner estabilizou a economia argentina depois de uma crise financeira em 2002, mas agora luta contra os altos índices de inflação e desemprego. Clima de campanhaA enorme faixa colocada em cima do palco com os dizeres "Nosso país é para todos", nas cores nacionais, contribuiu para o clima de comício político. Apesar do clima de eleição, Kirchner ainda não revelou se irá se candidatar ao pleito em 2007, mas muitos analistas políticos afiram que ele estará entre os candidatos. Ao ser perguntado, em entrevista ao Clarín , se usaria o discurso desta quinta-feira para anunciar sua intenção de concorrer em 2007, Kirchner afirmou que qualquer posição sobre a reeleição seria prematura.Mesmo assim, os argentinos discutem se o evento do 25 de maio marca a primeira ação eleitoral da campanha de reeleição do presidente. Críticos alegam que Kirchner está usando o feriado nacional para seu ganho político. Grupos de oposição passaram dias pedindo aos argentinos que não participassem do evento, afirmando que o governo peronista do presidente estava tirando vantagem de um feriado nacional. "Quando alguém usa a Praça de Maio para seu próprio benefício ou de seu partido, se separa dos interesses nacionais", afirmou deputada do partido de oposição ARI, Elisa Carrio.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.