Kirchner deixa Montevidéu em menos de um dia

O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, voltou, neste domingo, para Buenos Aires após ficar menos de um dia em Montevidéu, onde participou de uma das três sessões plenárias da 16ª Cúpula Ibero-Americana. A cúpula, que será encerrada, nesta segunda-feira, na capital uruguaia, foi a que mais ausências teve na história destes encontros, com oito no total, e a Argentina está agora representada apenas por seu chanceler, Jorge Taiana. O presidente da Argentina tinha chegado a Montevidéu com sua mulher, a senadora Cristina Fernández, e com vários de seus ministros na noite desta sexta-feira, e sequer teve tempo de assistir à cerimônia de abertura do encontro. Durante sua breve estadia em Montevidéu, Kirchner não conversou, pelo menos publicamente, com o anfitrião uruguaio, Tabaré Vázquez, com quem vive um momento conturbado devido à construção de duas fábricas de celulose no Uruguai. O presidente da Argentina já havia deixado a cúpula Ibero-Americana de 2003, na cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), apenas poucas horas após chegar no encontro, assim como aconteceu neste sábado em Montevidéu. O chefe de seu gabinete, Alberto Fernández, disse então que o presidente prefere "encontros fechados" com outros governantes e não se sente à vontade no meio do "protocolo" das grandes cúpulas, que, na sua opinião, impede o "trabalho concreto". Há dois anos, em San José da Costa Rica, o governante argentino também participou da Cúpula Ibero-Americana apenas por algumas horas e retornou a seu país alegando questões muito importantes. Em novembro de 2004, Kirchner suspendeu na última hora uma viagem ao Rio de Janeiro para assistir à cúpula do Grupo do Rio, e sua ausência causou um grande mal-estar no Brasil. Um mês depois, o líder da Argentina deixou de participar da Cúpula Sul-Americana, em Cuzco, alegando uma "recomendação médica", por causa dos 3.400 metros de altitude dessa cidade peruana. Em maio de 2005, participou da primeira cúpula da América do Sul com os países árabes, em Brasília. Chegou a tempo, mas imediatamente depois da abertura retornou a Buenos Aires. Kirchner voltou a "escapar" de Brasília em setembro desse mesmo ano, às vésperas da primeira Cúpula da Comunidade Sul-Americana de Nações. Nessa ocasião, viajou a Brasília, mas retornou a seu país após um jantar com o venezuelano Hugo Chávez e antes que se inaugurasse a reunião presidencial da comunidade. Na anterior Cúpula Ibero-Americana, Kirchner não foi o último a chegar nem o primeiro a deixar Salamanca (Espanha), mas não participou de nenhuma das sessões de trabalho. Os motivos não foram explicados oficialmente, mas fontes da delegação argentina disseram então que um problema estomacal lhe obrigou a permanecer em seu quarto durante quase três dias.

Agencia Estado,

05 Novembro 2006 | 01h54

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