Kirchner demite chefe de inteligência

Comandante de organismo militar é acusado de conspirar para evitar permanência de ministra da Defesa

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2007 | 00h00

O presidente argentino, Néstor Kirchner, demitiu ontem o chefe de inteligência do Exército, general-de-brigada Osvaldo Montero, suspeito de conspirar contra a permanência da ministra da Defesa, Nilda Garré, no próximo governo, de Cristina Kirchner. Oficialmente, Montero foi removido por "razões funcionais". Mas, segundo informações extra-oficiais, o general manteve diálogos com assessores do ministro do Interior, Aníbal Fernández, com uma proposta para que Nilda não permanecesse como ministra. O plano de Montero era que o posto fosse ocupado por Fernández, cotado para o Ministério da Defesa até poucas semanas atrás. Em troca da operação, ele pretendia aumentar seu prestígio e influência no Exército. Mas, na semana passada, Nilda foi confirmada no cargo por Cristina - que toma posse dia 10. Com essa decisão, os Kirchners sinalizam aos quartéis que sua política de aumento do poder de civis no interior da estrutura militar e de punir os crimes da ditadura (1976-1983) continuará nos próximos quatro anos.Cristina também anunciou que Fernández ocupará a pasta da Justiça. O ministro negou ontem qualquer tipo de relação com Montero: "Nem conheço esse senhor." Montero, que antes do escândalo era cotado para tornar-se subchefe do Exército no próximo governo, foi posto na reserva. A conspiração do general foi descoberta por meio de grampos telefônicos realizados pela Secretaria de Inteligência do Estado (Side), o principal organismo de espionagem civil da Argentina.Informações extra-oficiais indicam que a "operação" de Montero tornou-se motivo de chacota entre os oficiais da área de inteligência, que consideram que o general se comportou como um amador. Montero não pertencia à área de inteligência, mas sim, da artilharia.A ministra Nilda o havia nomeado para esse posto, para estimular a integração de oficiais de diversos setores dentro do ministério. Mas, apesar das piadas sobre as trapalhadas de Montero, a chefia do Exército está preocupada com as repercussões do caso, já que os Kirchners nunca digeriram nenhum tipo de insubordinação na área militar. No entanto, Montero teria agido de forma independente, sem a cumplicidade de outros oficiais.

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