Kirchner é confirmado na chefia de bloco regional

CAMPANA, ARGENTINA

, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2010 | 00h00

O ex-presidente argentino Néstor Kirchner foi eleito ontem secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) com a missão de reforçar a integração dos países da região. Kirchner - que é deputado e presidente do Partido Justicialista (Peronista) - foi eleito por consenso entre os 12 governos sul-americanos para um mandato de dois anos, com direito à reeleição.

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva reforçou seu apoio de forma enfática. "A designação de Kirchner na secretaria-geral da Unasul significa a consolidação (para a entidade), já que ele conhece o continente", afirmou.

Resistência uruguaia. O Uruguai tinha sido o principal obstáculo para a aprovação de Kirchner nos últimos dois anos. Por trás da resistência uruguaia estava o conflito que o país enfrenta desde 2005 com a Argentina, cujo pivô é a fábrica de celulose Botnia, instalada às margens uruguaias do Rio Uruguai, na fronteira dos dois países. Para protestar contra a fábrica, manifestantes argentinos - respaldados por Kirchner - realizam há quatro anos piquetes de forma ininterrupta na fronteira, o que dificulta a entrada de mercadorias no Uruguai.

Kirchner será o comandante de uma organização que ainda não foi aprovada formalmente pelos Estados que a constituem, já que o tratado da Unasul foi ratificado por 4 dos 12 países que o integram. Os Parlamentos da Argentina e do Brasil ainda não aprovaram a Unasul. "Será presidente de um clube do qual não é sócio", ironizaram líderes da oposição em Buenos Aires.

A Argentina, além de ficar no comando da Unasul, também ocupa a chefia do Mercosul, pois a secretaria-geral do bloco está desde o ano passado nas mãos do argentino Agustín Colombo Sierra. / A.R.

Para entender

Estabelecida em 2004, pela declaração de Cuzco, a Unasul busca promover a integração em setores como economia, infraestrutura, diplomacia e defesa. O objetivo final é criar um bloco sul-americano não apenas comercial, mas também político, nos moldes da União Europeia.

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